Capítulo 7

Sarah sondou seu próprio coração ao sentir pequenas borboletas voando por seu estômago e sua perna um pouco trêmula e se questionou se a melhor opção não seria se afastar, pois a verdade era que estava apaixonada por Eduard. 

Assumir aquela verdade fez com que seu rosto ficasse ainda mais vermelho e ela apertou a unha contra a palma de sua mão com força, um hábito nervoso.

 Como um perfeito cavalheiro Eduard permitiu que ela entrasse primeiro, na cozinha a Sra. Anna preparava uma deliciosa refeição com um cheiro de dar água na boca, o lugar era pequeno e muito conhecido por Sarah, afinal já tinha passado muitas tardes ali conversando sobre as escrituras com o Reverendo. 

A velha senhora cumprimentou Sarah com carinho e insistiu para que ela ficasse para o almoço. 

  — Chá?—  ofereceu o loiro indo até o fogão a lenha, o barulho cotidiano da cozinha impediu que as batidas furiosas do coração de Sarah fossem ouvidas. 

— Sim.  —   Aceitou a xícara que ele lhe estendeu e por um breve momento as mãos dos dois se tocaram. 

  — A senhorita parece um pouco tensa.—  Eduard colocou sua xícara na mesa olhando atentamente para Sarah, deu um sorriso tentando acalmá-la. 

A jovem pensou que ninguém deveria ter um sorriso tão bonito ao ponto de fazer pobre moças se sentirem tonta, definitivamente estava apaixonada.  

  — Eu... —  Sarah não sabia o que dizer e se tornava ainda mais difícil formular uma frase quando ele a olhava tão profundamente, seus olhos tinham que ser tão azuis?  — , acho que não deveria estar aqui. 

Sua razão dizia que deveria se afastar antes que seu coração fosse quebrado em mil pedaços diferentes, mas o coração quer o que ele quer e ela não se levantou da cadeira. Eduard arqueou as sobrancelhas como se tentasse entender o que se passava na cabeça da morena. 

— Não quero coloca-la em problemas Sarah.— Sua voz era baixa e sincera e fez com que os cabelos das nucas de Sarah se arrepiassem de uma maneira boa, outra prova de que ela deveria ir embora o mais rápido possível. 

A Senhora Anna cantava um louvor animado, mas de alguma maneira Sarah sentia como se apenas eles dois estivessem naquela abafada cozinha. Era assim que a paixão funcionava? Se questionou ao sentir como se o mundo todo desaparecesse e apenas os dois importassem. 

  — Eu sei.—  Ela suspirou, tentando se convencer que tudo o que sentia por Eduard era um carinho por ter cuidado dele, no máximo uma atração. Céus, ela definitivamente precisa ir embora não entendia suas reações e não podia amar aquele homem. 

  — Eu..—  ambos falaram ao mesmo tempo, Sarah corou enquanto Eduard riu, a risada dele era leve e agradável de ser ouvida.

  — Pode falar.

  — O senhor primeiro, quero dizer Eduard.—  Ela tinha uma certa dificuldade em chamá-lo pelo primeiro nome, principalmente porque ao fazer isso quebrava umas mil regras que faria sua avó ter um síncope. 

Ele ficou em silêncio por um instante, parecendo não saber como dizer algo.

— Sarah.—  Ela se perguntou qual o motivo do nome dela ser tão doce quando ele falava.— As coisas tem sido complicadas  nos últimos tempos, sem sua ajuda provavelmente não teria conseguiria.  

  —Sempre diz isso e uma hora começarei a acreditar.— brincou ela, fazendo com que ele risse.

  — Quero que acredite —  respondeu ele sorrindo.— Estive pensando, somos amigos certo?

— Claro. — Ela tentou entender aonde ele pretendia chegar, pois Eduard parecia nervoso algo que não lhe era comum. 

— Há um circo na cidade e amanhã. —  Ele balançou a cabeça, enquanto deixava a frase morrer..— Deixa para lá, o que queria me dizer?   

  —  Me diga —  ordenou exibindo um sorriso —  ou eu  pensarei o pior.

  — Talvez você gostaria...

— Ele quer chamar a senhorita para ir ao circo — disse a velha senhora colocando uma cesta de pão na mesa —, esses garotos de hoje em dia. Qual é a dificuldade em fazer um simples convite? 

Eduard riu e não parecia ofendido pela intromissão da velha. 

— Sim,  eu gostaria de acompanhá-la, mas eu entenderia se não quisesse. — Eduard sabia de quem Sarah era neta, e por mais que seus avós não se importasse com ela, não mudava o fato de que ela era um Lady e tinha uma reputação a zelar.

— Eu adoraria.— Sua animação era contagiante e o nervosismo de estar perto de Eduard parecia ter desaparecido.— A última vez que fui em um circo foi com meus pais na Califórnia, naquela época eu implorei ao papai para que me permitisse ir embora com o circo, pois queria ser uma artista como eles. 

  — Eu consigo imaginar isso.—  Ele respondeu rindo e servindo um pouco mais de chá para ambos. —Qual seria sua função em um circo?

  — Não sei, hum... quem sabe a desenhista oficial.

— Acho que não tem essa função.

— Eu também não.—  ambos riram. 

  — Sarah.— a voz de Anne fez com que Sarah desse um pulo, se Eduard não fosse rápido ela teria caído de rosto ao chão. — O que está acontecendo?

A irmã caçula de Sarah estava na porta com uma expressão de surpresa e uma pitada de diversão, como se adorasse a ideia de pegar a irmã fazendo algo errado. 

  — Eu...— Sarah torceu para que a irmã mantivesse a boca fechada e não contasse nada sobre Eduard aos avós, aquilo seria difícil de explicar. 

— Quer saber não precisa explicar.— Anne caminhou decididamente para perto de Eduard. — Sou Anne Parker e o senhor?

— Eduard.— Ao cumprimentar Anne o loiro fez com tanta nobreza que novamente Sarah pensou que ele não poderia ser um simples plebeu.

— Sobrenome? 

— Não o pressione Anne — ordenou Sarah para evitar que Eduard fosse confrontado e precisasse mentir, nada tirava da mente da morena que o loiro sabia exatamente quem era. 

— E de onde o conhece? —  Anne perguntou para a irmã, cumprimentando a Sra. Anna com um sorriso doce. 

  — A senhorita Parker salvou minha vida.

— A senhorita Parker? Então estão juntos ?— Sarah engasgou com o ar chocada com a ousadia da irmã.   — Eu não vejo problema algum, fico até feliz Sarah anda muito sozinha.

  — Anne Mary Parker.— gritou Sarah. — Não estamos juntos, que absurdo eu...

Eduard parecia divertido coma  falta de jeito e de palavras de Sarah, enquanto ela desejava se enterrar viva. 

— Anne me espera lá fora —  resmungou Sarah a ponto de agredir a irmã, mesmo não sendo uma pessoa violenta.

  — Tudo bem, foi um prazer conhece-lo Sr. Eduard sem sobrenome.—  Anne deu um de seus sorrisos deslumbrantes. 

  — Igualmente Senhorita Parker.

— Eu sinto muito — disse Sarah quando Anne deixou a cozinha. 

— Está tudo bem, ela é apenas uma criança.

  — É melhor eu ir —  ela disse olhando para ele. 

Ela o encarou decidida a dizer que não iria ao circo e que era melhor eles se afastarem, mas não conseguiu.

— Vais ficar bem?—  

— Não acho que Anne contará nada a minha avó — informou Sarah, a irmã nunca prejudicava a morena conscientemente. 

— Odiaria pensar que por minha culpa a senhorita ficou encrencada com sua avó. — Ele a encarou com os olhos azuis que fazia com que o coração dela acelerasse —, amanhã está de pé?

Ela sorriu um pouco mais calma.

— Sim, eu estarei lá.

— Ótimo — assentiu Eduard. — Tenho algo para te contar. 

Sarah deu um leve sorriso e depois se despediu da Sra. Anne e pediu que dessem lembranças ao Reverendo. Ao sair da cozinha e caminhar em direção aonde sua irmã estava sentiu novamente o turbilhão de emoções dominar sua mente e ansiou para chegar em casa e orar ao Senhor em seu secreto, precisava derramar sua alma na presença Daquele que era sua torre segura. 

— Sarah Elizabeth Parker estou sem palavras.—  disse Anne se sentando ao lado da irmã na carroça. — Quem diria a boa moça se encontrando escondida, amei.

— Anne isso não é brincadeira.

— Eu sei.— respondeu a caçula quando a cidade já começava a dar lugar a paisagem do campo.— Só tome cuidado.

— Somos amigos.—  disse Sarah sem olhar para a irmã.—  Por favor, não conte nada a ninguém.

— Sarah es minha irmã e eu nunca a colocaria em risco.—  prometeu Anne.—  Além do que, eu acho que já estava na hora da senhorita correr alguns riscos.

— Como eu disse somos apenas amigos.

— Claro.— concordou Anne revirando os olhos.

— O que ? É verdade.

  — Sarah ele não te olha como um amigo, mas como um homem olha para uma mulher que deseja.

— Anne não deveria falar essas coisas, onde aprendeu isso? —  o rosto de Sarah estava da cor de um pimentão, ela sentia vontade de pular aquela conversa.

— Tenho amigas casadas.—  respondeu Anne como se isso explicasse tudo.

— Nunca deixe a vovó escutar você dizendo isso. —  orientou Sarah.— Você acha mesmo que ele gosta de mim?

— Com certeza. E seria um bobo se não gostasse.

— Essas coisas não são para mim. —  sussurrou Sarah de modo que se a irmã não estivesse ao seu lado não teria escutado.

— O que? Amor ou casamento?

— Ambos, eu  ficarei velha e cuidaria de seus filhos lembra? —  brincou a Parker mais velha, com uma pitada de verdade. 

— Eu não me importaria de ter você sempre em  minha vida, mas Sarah você merece mais do que cuidar dos meus filhos ou de viver o resto da vida com a avó, você poder se casar com quem você quiser minha irmã, um duque, um conde, um homem comum. Es extraordinária e eu gostaria que se visse com mais clareza. 

— Acho que posso estar apaixonada por ele — confessou Sarah —, mas tenho muito medo. 

— Lembra do que a mamãe dizia?

— Que o amor não é certeza, mas uma escolha.

— Então escolha o amor Sarah Elizabeth Parker.

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