Capítulo 2
Sarah encarou o homem e a si mesma por um instante, enquanto tentava imaginar em como faria para colocá-lo na carroça, ele tinha o dobro do tamanho dela. Um agonia tomou conta de seu corpo e ela arrancou seu chapéu um pouco irritada diante de sua própria impotência, com um pedido de desculpa incompreendido, arrastou o corpo dele com o máximo de cuidado possível até o fundo da carroça, e constatou que se alguém a visse não apenas sua reputação seria ainda mais estragada como poderia ser acusada de fazer mal ao pobre homem.
Com muita dificuldade ao ponto que sua roupa ficou toda suja de sangue e suor conseguiu colocar o homem na carroça, orou a Deus para que sua atitude não tivesse matado ao pobre coitado, pois provavelmente tinha ocasionado dele duas ou mais lesões.
Sarah jogou uma velha coberta que sempre carregava consigo por cima do desconhecido, felizmente a taberna não ficava muito longe e o cavalo parecia compreender a pressa de sua dona, o coração da jovem parecia a ponto de sair pela boca e o cheio de sangue a deixava levemente enjoada.
Sem qualquer cerimônia pulou do veículo, com uma aparência nada elegante abriu as portas da taberna, o lugar era velho ao ponto que as paredes de madeira pareciam prestes a ruir, mas ainda assim continuava cheio de pessoas, sejam os locais ou viajantes de toda a Inglaterra.
O cheiro de álcool e a voz alta dos frequentadores tomava todo o lugar e ela podia sentir seu estômago dar voltas, por um instante agradeceu a Deus por não ter comido nada naquela manhã ou provavelmente teria jogado tudo fora, ignorando sua vontade de sair correndo dali caminhou decididamente até uma mulher de aparência exótica, a estranha não aparentava ser muito mais velha que Sarah, seus cabelos pretos eram extremamente lisos e estavam soltos, seus olhos castanhos pareciam entediados e usava uma roupa colorida, era linda.
A mulher colocou mais bebida no copo de um homem e bateu na mão dele quando o bêbado tentou encostar nela, parecia a ponto de cortar um dos dedos do homem fora quando notou Sarah toda desarrumada e suja de sangue.
— Lugar errado docinho, não deveria estar aqui — disse a mulher limpando um copo que já estava limpo. — Se foi atacada deveria procurar a polícia e não entrar em um lugar como esse.
Sarah começava a se arrepender do que estava fazendo, mas a imagem do loiro ensanguentado deu a ela coragem.
— Preciso de ajuda — implorou a jovem —, ele está todo cheio de sangue e a primeira vista pensei que estivesse morto e talvez eu tenha lhe causado mais mal do que bem. — As palavras saíam embaralhadas da boca de Sarah.
— Primeiro, aqui não é um hospital — apontou decididamente a mulher mais velha, seu sotaque soou mais forte diante de sua irritação, mas tudo parecia irritá-la. — Segundo, não alugo quartos para mulheres que claramente só podem trazer confusão.
— Por favor, ele vai morrer — suplicou Sarah, enquanto um homem careca gritava com a balconista por mais uma caneca de rum.— Eu o teria levado até a cidade se tivesse tempo, mas temo que ele morreria no caminho.
— Ele é seu marido? Ou alguém da sua família? — perguntou a mulher, mas não deixou Sarah responder. — Se não for o melhor que faz é deixa-lo morrer, o mundo estaria muito melhor sem homens, são todos uma raça de víbora.
Um homem bêbado demais gritou como se discordasse.
— O que esta acontecendo aqui?
— Nada Mambo — garantiu a funcionária da taberna —, a garota já está de saída.
— Não estou — negou Sarah decidida a conseguir ajudar ao desconhecido loiro —, eu quero um quarto e posso pagar.
A neta da Baronesa encorou o homem ruivo com toda a sua coragem, ele a encarou um pouco divertido, como se uma formiga tivesse começado a falar.
— Quantas vezes lhe disse Maya ? Não espante os clientes ou lhe mandarei embora.
— Eu imploro que faça isso — pediu a estrangeira sarcasticamente.
— Será muito bem-vinda aqui — cumprimentou Mambo a Sarah, de olho na bolsa de moeda da jovem.
— Mambo — chamou Maya como uma professora a um aluno —, a garota é encrenca e quer um quarto para um homem machucado.
— Se tiver dinheiro —disse Mambo com um sorriso nada sensual —, pode até alugar um quarto a um homem morto.
— Mambo nem pensa nisso — sussurrou Maya, com uma expressão azeda.
— Ainda sou o dono dessa taberna não sou? —questionou Mambo com uma expressão que não aceitava discussão. — A senhorita está fugindo?
— Não — respondeu Sarah, tentando evitar levar as mãos ao rosto vermelho de vergonha.
— A Polícia vai aparecer?
— Não. — Dessa vez Sarah não tinha tanta certeza da resposta, pois afinal não conhecia o homem loiro.
— Tudo bem — assentiu Mambo com uma leve piscadela e indicando que Sarah deveria lhe dar algumas moedas. — Pode ficar, minha casa é sua casa.
— Ótimo ele está em minha carroça — respondeu a jovem —, precisarei de alguns homens para carregar ele para dentro — concluiu já caminhando em direção a saída.
— Primeiro meu dinheiro — disse Mambo —, são seis libras por noite e pagará em dobro pelo sangue que Maya terá que lavar das roupas da cama e mais duas pela minha bondade e ao final mais dez libras porquê terei que aguentar os resmungos de Maya.
Mambo já estendia as mãos animado pelo dinheiro fácil.
— Isso é extorsão. — Reagiu Sarah um pouco chocada. — Não tens amor pelo próximo?
— É sobrevivência — explicou Mambo —, além disso o único que amo além de mim mesmo é o dinheiro, agora pague ou caía fora.
Maya revirou os olhos e continuou a servir alguns homens, mas seu olhar era um aviso a Sarah para ir embora e não mexer com Mambo.
Sarah entregou as libras agradecida pelo fato de ter economizado todo o dinheiro da mesada que os avós davam a ela.
Mambo mordeu uma das moedas para ver se eram reais e então sorriu para Sarah, causando a ela um estranho arrepio.
— É melhor ele entrar pelo fundo para não espantar os clientes — sugeriu Maya.
— Vou parar a carroça nos fundos.
— Só mais uma coisa senhorita — disse Mambo atrás de Sarah antes que ela abrisse a porta da taberna. — Ninguém aqui é médico ou enfermeiro então você cuida do moribundo e se ele morrer é melhor ter mais dessas belezinhas aqui. — Indicou as libras.
Sarah o ignorou correndo para a carroça, enquanto fazia uma oração para que aquele homem não viesse a morrer ali, em seu coração sabia que faria o possível para ajudá-lo. Uma brisa fresca surgiu como uma carícia no rosto de Sarah e por um breve momento sentiu toda a ansiedade deixar seu corpo e tevê a certeza que independente das dificuldades que pudesse surgir, ela tinha feito a escolha certa de ajudar aquele homem.
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