Muito delicado

Oito meses de gravidez.

Point Of View Lorena Clarkson

Soltei o ar lentamente, já fazia alguns minutos que estava tentando sair da cama, mas a barriga estava tão pesada que não conseguia. Justin tinha saído do quarto para pegar alguma coisa e até agora não voltou. Bufo nervosa pela quinta vez que falhei, desisto. Minha barriga está enorme e bem mais pesada, o que me deixava estressada era que Justin não me deixava fazer quase nada.

Ouço a porta se abrir e por ela entrar um Jay com uma bandeja repleta de comida. Tento levantar pela sexta vez e dou um grito, chamando a atenção dele, que me olhou confuso.

— Que foi, amor? — deixou a bandeja ao meu lado e ajudou-me sentar, coloquei minhas mãos sobre a barriga sentindo um pouco de dor. — Está bem?

Respiro fundo e solto o ar.

— Lorena, responde! — olhei para Justin nervosa, minha barriga estava doendo ainda mais. Apertei suas mãos com força. Justin se levantou da cama e pegou seu celular, ainda com uma mão junto a minha. Não conseguia dizer nada. — Lolo liguei pro seu médico, ele disse que você não pode se mexer e só inspirar e expirar devagar, okay? — ficou à minha frente. — Inspira, solta... Expira, solta. — fizemos isso três vezes, até que não sinto mais dor. — Agora me diz, o que aconteceu?

— Estava tentando levantar, mas não conseguia. — falo, puxando a bandeja e começando a comer. — Então, você chegou e me ajudou a sentar, e quando sentei senti dor.

— E, porque não me esperou? Sabe que não pode fazer esforço. — assenti.

Ficamos conversando e comendo o que restou da bandeja, pois, enquanto ele falava eu comia tudo, e acabou por ele não ter comido quase nada. Olhei as horas dez e meia da manhã. Ainda estava cansada, então resolvi voltar a dormir.

(...)

Acordei e já estava de tarde. Então apenas me levantei e tomei um banho rápido. Coloquei uma roupa leve, e sai do quarto, desci as escadas calmamente, assim que desci fui direto pra cozinha. Pego um prato e coloco um pedaço de bolo no, abri a geladeira e tirei dela uma jarra de suco natural. Tinha feito ontem de madrugada, era mais uma vitamina pra mim. Despejei o líquido no copo e deixei a jarra no balcão mesmo, e andei até o jardim onde as crianças e Justin brincavam na piscina.

Sento-me na cadeira e ponho o prato na mesa.

Não estava sendo fácil com essa barriga andar para o lado e outro, eu ficava cansada só de dar cinco passos. Não quero imaginar como será quando meu bebê nascer. Ainda mantive minha decisão de não saber se é menina ou menino, continuo castigando Jay com isso. Blair se divertia toda vez que ele perguntava sobre qual era o sexo do bebê. O mais engraçado é que ele perguntava para ela e não para mim... Ele deve achar que ela sabe.

Bryan está aprendendo mais algumas palavras como: sua linda, comida, lasanha, bolo de chocolate. Essas foram as que ensinei, Bieber ficou emburrado por Bryan não ligo pro fato do pai tentar ensinar a ele. Ele so quer aprender quando falo as coisas. E o "bolo de chocolate" e por conta de todo dia eu pedir para fazerem para mim comer, e ele acabou por ficar viciado também. Mas, falei para Justin cortar isso dele, isso pode ser ruim pra mim, imagina pra ele que ainda é uma criança.

Voltando a Blair, ela mudou completamente, com minha opinião sobre ela. Ela vem me ajudando em tudo, e quando digo tudo e tudo mesmo. Hoje, quando oito meses de gestação, ela parou um pouco porque eu pedi. Mas, venho tendo dificuldades em andar, e por Justin sempre acordar primeiro que eu, de vez em quando ela me ajudava. Blair está tão linda, que me dava orgulho. Bryan também está um menino maravilhoso.

Minha mãe tinha voltado para o Brasil, mas disse que voltava logo, antes mesmo de entrar no último estágio da gestação ela estava aqui. Eu a queria aqui perto de mim.

Aliás, precisava contar sobre meu aborto para Justin.

Seria melhor se eu contasse agora ou mais tarde? Precisava de ajuda sobre isso. Apenas minha mãe sabia sobre esse assunto, nem mesmo Kate sabe... Kate! E isso. Ela iria me ajudar. Já tinha terminado de comer, entrei na cozinha e deixei a louça na pia, e andei até a sala pegando meu celular na mesinha e sentei-me no sofá deitando nele. Disquei o número dela que atendeu no primeiro toque:

Lorena, aconteceu algo? — abro um sorriso com sua preocupação.

— Não, nada relacionado ao bebê. — disse acalmando-a. — E sobre um assunto muito delicado para mim.

Põe pra fora mulher! — riu, me fazendo soltar uma risada.

— Certo... Quero contar para Jay sobre o aborto, mas não sei como. — mordo meu lábio.

Bem... Se sente confiante o bastante para contar isso a ele? Sei que estão juntos, mas se isso for muito difícil pra você contar a ele, acho que, ele iria entender se você não contar.

— Sim, confio nele e muito. — respondo de imediato. — Só não sei como contar, sabe?

Perfeitamente. — respirou fundo. — Conte da melhor forma que você se sentir bem consigo mesma.

— Obrigada, você me ajudou muito! — falo feliz.

Continuamos a conversar, mas com outros assuntos obviamente. Ela contou-me sobre seu relacionamento com Ryan, que estava indo muito bem e que estavam pensando em morar juntos. Disse a ela que isso é um assunto muito sério para ser assim do nada, e até ela concordou com isso. Ela também disse que Ryan tomou essa decisão quando eles estavam jantando em um restaurante, o preferido dela. Kate sempre tudo simples assim como eu, e mudar assim drasticamente como fiz, seria tão radical para ela, como aconteceu comigo. Dei conselhos a ela, e por fim desligou o celular quando Ryan a chamou.

Ouvi Justin me chamar, mas continuei deitada. Ele que venha aqui. Vi ele aparecer no meu campo de visão, mas ele passou reto, mas logo voltou, sentando e colocando os pés em seu colo, começando a fazer uma massagem.

— Não ouviu eu te chamar? — indagou.

Olhei ele, e assenti.

— As crianças estão dormindo. E lembrei que hoje tem consulta, ou você se esqueceu? — me olha esperando minha resposta.

— Esqueci que tinha. — mordo meu lábio inferior.

Nós levantamos e fui direto para o carro, Jay tinha ido pegar meus documentos. Ligo o ar, e em poucos segundos ele voltou já ligando o carro. O caminho até o consultório era longo, então me arrumo no banco, sentindo o cinto em minha barriga me incomodando. Tirei ele por poucos segundos e Justin coloca de novo em mim. Ele andava muito protetor também, ele estava escondendo algo. Conheço ele o bastante para saber disso. Justin parou o carro no estacionamento e saímos do carro.

Fomos atendidos rapidamente. E logo estávamos voltando pra casa. Era só consulta de rotina. Então já estávamos em casa. Tomei um banho e voltei pra sala. Justin tinha ido tomar banho, mas ele parecia mas uma noiva se preparando para casar. Ele demorava muito no banho.

Olhei para o lado e Justin desci as escadas, e foi em direção a cozinha. Mas, logo voltou com um pote nas mãos, sentou-se ao meu lado colocando minhas pernas em seu colo, de novo.

— Come, e salada de frutas. — me deu o pote e uma colher.

— Preciso conversar com você, é um assunto muito delicado para mim. — falo, quase sussurrando. Me sentei corretamente e me virei para ele, o olhando. — E sobre o aborto que tive. — respirei fundo. — Estava num momento difícil em minha vida, mas depois de um mês de brigas em casa, contei ao homem sobre estar grávida, não namoramos, apenas sexo sem compromisso. — ri sem humor. — Era muito nova, acho que tinha um quinze anos, não sei, não me lembro. Mas, a partir do dia em que contei sobre estar grávida, ele pediu para morar com ele, aceitei, mas foi a pior escolha que tive. — olhei para o lado. — Começamos a ter brigas, e não eram brigas normais, entende?

— Ele te batia? — me olhou incrédulo.

— Não, mas quase chegou ao ponto dele me agredir. Nesse mesmo dia das brigas, que foram de manhã, tarde e à noite, passei bastante mal. — suspiro, engolindo o choro. — Cheguei ao hospital quase desmaiando, ele tinha me levado, estava com medo e liguei pra minha mãe. Foi quando desmaiei, e quando acordei soube que tinha perdido por conta de um aborto espontâneo. O homem que tinha me engravidado sumiu, ele nem ao menos ficou pra saber como estava... O doutor disse que não poderia engravidar, caso isso acontecesse, teria risco de aborto ou ele não sobreviver na hora do parto.

Molhei meus lábios, comendo um pedaço de fruta do pote.

— Por isso está com medo? — assenti, nesse momento já chorava. Drew me puxou me abraçando, estava um pouco complicado por conta da barriga, mas continuei abraçando ele. — Vou estar aqui com você e na hora do parto. Nada vai acontecer com você e nosso filho. Tudo bem? Obrigado por confiar em mim esse segredo. — selou-me demoradamente.

Quando deu nove horas fomos dormir. Sabia que poderia confiar nele. Ele vai estar lá comigo, e isso me acalmava. Eu o amo tanto, Deus!

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