Prólogo
Através do Aerith, a história da criação do mundo e de todos os seres foi eternizada, e através do seguinte conto, ela foi contada para todos, sem exceção:
"Pelos confins do vasto universo, tudo o que foi criado foi escrito; afinal, aquilo que não é registrado tende a ficar disperso, existindo ao acaso pelo infinito.
Cada ser de existência espontânea adquiriu o status de Deus e recebeu a missão de criar vida. Cada um recebeu uma parte do universo para criar os seus, mas nem todos tiveram essa missão cumprida.
O Deus que não completasse sua criação seria absorvido junto com o seu trabalho inacabado pelo infinito, em um espetáculo de destruição que não era nem um pouco bonito.
Learth, uma Deusa caprichosa, criou aos poucos um planeta, onde colocou tudo o que tinha criado. Enquanto via os Deuses que falharam, ao som de uma trombeta, terem seu trabalho obliterado.
Ela sabia que ainda faltava muito e que seu tempo estava se acabando, mas precisava deixar tudo perfeito. Para o caso do prazo acabar, ela tinha um plano, e assim seria feito.
Learth continuou tranquila, fazendo tudo ao seu tempo, enquanto os Deuses ao redor não entendiam a sua calma. Poderia ser obliterada a qualquer momento, mas tinha um trunfo em sua alma.
Ela planejou doar-se para que sua criação vivesse, em um ato de amor e sacrifício. E por mais que nenhum deles entendesse, era isso que o universo queria desde o início.
Antes que fosse requisitada para voltar ao nada, ela elevou sua existência e se auto-destruiu; e em uma tábua, sua história foi eternizada, como o universo instituiu."
A tábua de Learth se transformou em um livro e, por séculos, esteve disponível a todos os seres que viviam em harmonia, e lhes era vedado apenas o futuro, que só era revelado em ocasiões que o próprio livro julgava necessário. O Aerith, como passou a ser chamado, contém resquícios da alma da Deusa e tem em suas páginas bênçãos e magias que os sacerdotes de Learth, escolhidos ao nascer, podiam usar para restaurar o equilíbrio quando este fosse quebrado. A história da Deusa altruísta, que se doou por sua criação, ecoou por todos os universos. No universo Alearth, virou poema e canção, como pode-se ver nos seguintes versos:
"Na tábua de Learth, a história foi contada,
Herança para toda a criação.
Por amor, a Deusa teve a sua alma fragmentada,
Essa era realmente a sua única opção.
Tudo estaria perdido, tudo pelo que ela viveu,
Não fosse por seu divino sacrifício.
Mas como poderia ela evitar, se não foi ela quem escolheu,
Já estava escrito desde o início.
Ela tinha que morrer, morrer para que houvesse vida,
E agora ela vive em todos e em tudo.
E como todo o seu poder, sua alma também foi dividida,
Para criar um novo mundo.
Do seu corpo fez-se os continentes,
Das suas lágrimas rios e mares,
Seus olhos, Sol e Lua, sempre vigilantes,
Olhando por nós em todos os lugares.
Seu amor à Luz, seu ódio às trevas,
Separados por uma tênue linha,
E todos os seres vivos, dos carnais até as ervas,
São filhos da Deusa rainha."
Sete raças foram criadas junto com o universo, advindas dos sete elementos primordiais: da Luz, os Elfos, belos e sábios, resplandeciam em suas belas e iluminadas cidades; do fogo, os Draconianos, fortes e organizados em suas cavernas; do ar, as Fadas, seres graciosos e gentis, que viviam nas montanhas; da Terra, as Devas, as belas e poderosas senhoras das florestas; da Água, os Ondines, senhores dos lagos e mares; do Éter, os Elementais, seres etéreos que estão em todos os lugares e em lugar nenhum; e da Alma, os humanos, que foram feitos à imagem e semelhança da Deusa.
Os humanos não tinham qualquer magia, mas podiam aprender e utilizar qualquer uma delas, e dos humanos eram escolhidos os sacerdotes de Learth, responsáveis por guardar e utilizar o livro sagrado. As raças viviam em harmonia e os seres mágicos ajudavam os humanos no que precisavam, porém algo na natureza humana estava errado e um dos sacerdotes se deixou corromper, decidindo usar o livro para escravizar as outras raças. Esse humano e seus seguidores tiveram a Alma tomada pela escuridão e se transformaram em uma nova espécie: os Demônios.
O sacerdote passou a se chamar Dolghur, e junto com seus seguidores, que utilizavam magia corrompida, acabaram com a paz no planeta Alearth e incontáveis guerras foram travadas. O Aerith passou a ser guardado pelos anciões elfos e foi selado com magia elemental, podendo ser aberto apenas com a presença da magia e do sangue de representantes de cada uma das sete raças primárias, advindas dos sete elementos primordiais, que são Fogo, Água, Ar, Terra, Éter, Luz e Alma. Raças estas que já se juntaram algumas vezes durante as eras para combater a raça dos demônios, que não desiste de reinar sobre todos os seres.
Após o surgimento dos demônios, as criaturas mágicas deixaram de confiar nos humanos. Com a ajuda de uma magia do Aerith, criaram seus próprios reinos em dimensões que orbitam o planeta Alearth. Alguns seres dessas raças optaram por permanecer no planeta, mas passaram a esconder suas naturezas para poderem viver em paz. E assim surgiram os cinco reinos mágicos: Reinos da Luz, do Fogo, do Ar, da Água e da Terra. Os Elementais permaneceram na terra, costumavam ser neutros nos conflitos e pouco se importavam com os humanos, apenas existiam onde e como quisessem.
Mesmo depois das raças mágicas deixarem o planeta, Dolghur, suas tropas demoníacas e seres que se tornaram obscuros tentaram em uma investida surpresa dominar os outros reinos místicos. No entanto, foram frustrados por uma aliança que já havia sido formada pelas seis raças, e foram banidos para outra dimensão paralela chamada Ifreann. Os portais de Ifreann para os outros mundos foram selados usando sete magias elementais representando as sete raças primárias.
Assim, o Aerith passou a ser a memória do universo, onde a história é gravada antes mesmo de acontecer e é reescrita ou modificada conforme os seres fogem da linha traçada e fazem seu próprio destino. O livro narra todas as grandes batalhas que foram travadas pelos séculos e que foram de extrema importância para todas as raças, além de reservar grandes eventos que ainda estão por vir. Há quem diga que as vidas de todos os seres do universo são totalmente gravadas nas suas páginas mágicas no momento em que nascem, mas podem e são alteradas de acordo com as ações de cada um durante a vida.
Três séculos depois do triunfo da aliança das seis raças sobre o exército demoníaco de Dolghur, as raças praticamente se esqueceram dos demônios. O senhor das trevas e seus comandados passaram a ser tratados como mera superstição, mas alguns demônios, fortalecidos pela ganância e maldade da alma humana, ainda agiam no mundo e preparavam a volta do seu mestre. As raças mágicas também foram esquecidas pelos humanos e passaram a ser tratadas como divindades ou lendas. Sinais que se fazem cada vez mais frequentes podem ser um anúncio de que Dolghur voltará, e uma nova aliança entre as raças pode ser necessária em breve.
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