Preguiça
Do latim acedia. Aversão ao trabalho, bem como negligência, morosidade e lentidão.
***
Acordei totalmente descabelado, a minha situação financeira não estava das melhores graças à minha demissão no meu antigo emprego, então não tinha como pagar um corte de cabelo. Naquele dia que eu fui demitido, eu tinha esquecido que teria uma reunião com o diretor da empresa e acabei por dormir a manhã toda.
O meu telemóvel começou a tocar em cima da minha mesa de noite. Estiquei o meu braço com alguma dificuldade devido à preguiça que percorria o meu corpo.
–Estou! - Atendi a chamada.
–Alan Cooper, seu incompetente, fostes despedido novamente!? - Perguntou em um tom ameaçador - Não penses que vou continuar a enviar dinheiro para ti!
–Mas mãe... - Fui interrompido.
–Sem mas! - Gritou do outro lado da linha - Seu inútil, imprestável! Levanta dessa cama e vai à procura de um trabalho. Quem diria que serias igualzinho ao teu pai. - O seu tom de voz era desprezo.
–Tal pai tal filho... - Murmurei.
–Disse alguma coisa?
–Não, nada. - Suspirei.
–Vai procurar trabalho Alan! Não quero ver o meu filho na rua. - O seu tom de voz mudou para preocupacão.
Bipolaridade era um grande defeito da minha mãe.
Desliguei a chamada assim que ela ouviu o meu pai pedir uma cerveja. Encarei o teto e pensei a possibilidade de encontrar um trabalho, mas meu nome já estava sujo e a minha cama quente de mais para eu querer levantar-me dela. Fiquei a ver séries até o meu estômago roncar.
Levantei-me da cama como uma dificuldade horrível, parecia que não andava há meses.
Suspirei.
Abri o frigorífico e vi que estava praticamente vazio. Tirei a ultima fatia de pizza do dia anterior, uma cerveja e comi enquanto assistia um programa de televisão nada interessante. O comando encontrava-se do outro lado da sala de estar, mais precisamente em cima da mesa de jantar.
Teria convidados, alguns amigos iriam vir para ver o jogo de futebol comigo. Espreguicei-me e vesti umas calças por cima do pijama e um casaco apenas para cobrir o meu peito nu. Peguei algum do dinheiro que me restava e sai até a mercearia a alguns metros da minha casa.
–Boa tarde senhor Cooper. - A dona da loja sorriu para mim.
–Bom dia dona Cecília. - Sorri de volta - Por acaso vocês têm cerveja e uísque por aqui? - Questionei esperançoso.
–Não vendemos álcool aqui senhor Cooper. - A dona falou - Já deveria saber disso, não é a primeira vez que pergunta isso. - Ela ficou séria enquanto me encarava.
–Pensei que tivessem mudado um pouco. - Suspirei - Essa loja precisa de bebidas alcoólicas urgente. Não aguento mais ter que ir ao supermercado só para comprar umas latinhas. - Fiquei irritado e saí dali.
Entrei em casa irritado e deitei-me no sofá da sala enquanto observava o teto branco sem vida. Acabei por adormecer.
[...]
Alguém tocava à minha campainha frenéticamente, acordei sobressaltado devido ao barulho e continuei deitado. Às vezes eu gostava de ter uma empregada para fazer tudo aqui em casa.
Suspirei.
Liguei a televisão e ignorei os protestos das pessoas que chamavam pelo meu nome do outro lado da porta de entrada. Comecei a ver o jogo de futebol sem os meus amigos já que eles estavam plantados à frente do meu apartamento.
Senti uma forte dor no peito, nunca tinha sentido uma dor tão agonizante. Peguei o telemóvel que estava ao lado da televisão e marquei o número 112.
Expliquei o que eu estava a sentir e minutos depois uma ambulância estava parada na frente do prédio onde eu morava.
Senti a minha respiração falhar e achei que eles não chegariam a tempo. Apaguei.
Acordei em um quarto branco, e dava para ouvir um bip da máquina ao meu lado. O meu estômago roncar de fome, então chamei a enfermeira.
–Bom dia senhor Cooper! - Ela sorriu - Como está se sentindo?
–Com fome. - Fiz uma careta.
–Vou só chamar o médico e já lhe trago a sua refeição. - Ela saiu do quarto.
O médico entrou e logo começou a falar.
–O senhor teve uma parada respiratória após ter uma parada cardíaca.
Fiquei espantado pela informação, nunca pensei que isso poderia acontecer.
–Precisa fazer exercício físico, talvez encontrar um trabalho ajude. - Sugeriu.
Fiquei calado.
–Faremos mais alguns exames e depois poderá ir para casa. A sua mãe está aí, ela quer vê-lo.
Assenti e ele se retirou. A minha mãe entrou com cara de poucos amigos no quarto e começou:
–Ou arranjas um trabalho, ou vais viver comigo! - Falou mais alto que o normal.
–Eu vou encontrar um trabalho. -Falei com confiança.
–Espero que seja assim, ou vais morar comigo!
Caramba, eu tinha 29 anos e não sabia construir uma vida. Já era tempo de abrir os olhos.
N/A
Eu estou muito feliz de ter a oportunidade de poder participar dessa obra! É a minha primeira participação coletiva e eu estou muito empolgada!
Beijos de luz, amo vocês!
Um conto de
MissOfDiamonds
***
É a TaniaListing que vos fala e é só para dizer que vai haver uma nota de agradecimento no próximo post com algumas revelações. Fiquem atentas! 😉
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