Capítulo 6 - Recordações

O mini paraquedas pousa em um galho ao meu lado. Há uma caixinha presa a ele e acredito que seja o meu remédio, já que foi o que pedi. Espero que tenham realmente acatado o meu pedido.

Me estico para pegar. Tiro a tampa e me deparo com uma cartela de comprimidos e um tubo de pomada.

Atrás da cartela de comprimidos, instrução para que eu tome um agora e um ao amanhecer; no tubo de pomada, para que eu passe levemente nos ferimentos; e, por último, uma frase no fundo do pote: que a sorte esteja sempre ao seu favor!

Não consigo disfarçar a cara de deboche ao ler este último, mesmo assim, agradeço ao olhar para o céu. Se eu não agradecer, posso não receber mais nada, caso precise!

Tomo o comprimido juntamente com água. Passo a pomada primeiro no corte em minha barriga. Não sei se vai ter o suficiente para tantos ferimentos, por isso tento espalhar ao máximo.

Que alívio!... É como se essa gosma branca fosse uma anestesia. Não sinto mais nenhum dos cortes, mesmo que eu os cutuque. Talvez também seja o comprimido que começa a amenizar a dor.

Que puta alívio!

Só o meu pescoço continua doendo, contudo, quase não o sinto mais.

Hoje eu tenho certeza que conseguirei dormir um pouco. Geralmente, o segundo dia do jogo é o momento que os tributos vivos aproveitam para se recuperar. Muitos conseguem ajuda dos patrocinadores para ter vantagem. Eu realmente não imaginava que teria ajuda. Primeiro porque no confinamento pré arena eu não fiz nada que pudesse chamar a atenção deles, somente comi e dormi e segundo que aqui na arena chinguei a capital diversas vezes por conta de tudo isso que estou vivendo... Estou surpreso por ter recebido algo desses fodidos. Talvez tenham gostado do meu desempenho no jogo, pois tive um aliado e juntos matamos quatro. Isso é atrativo. Mesmo me considerando sem carisma algum, talvez eu até tenha alguma torcida. Afinal, eu estou no top dez.

Voltando a linha de raciocínio sobre o segundo dia de jogo, tem algo que me faz querer ficar em alerta: já que a maioria dos tributos está escondido, se recuperando, a audiência costuma cair; por não ter muita ação. Por isso os patrocinadores sempre dão um jeito de movimentar o jogo: fazem algo com a arena para que os tributos fiquem mais próximos, gerando tensão; oferecem algum "presente" em determinado lugar, fazendo todos irem atrás... Enfim, alguma coisa diferente acontece.

Lembro que torcia por um garoto do distrito oito em uma determinada edição. A arena era totalmente diferente de todas as edições anteriores, pois os tributos foram deixados no fundo de algum oceano. Um campo de força cobria a superfície da água, fazendo com que ninguém pudesse sair. Todos os tributos foram vestidos com roupa de mergulho e, espalhadas pela arena, haviam vários tubos de oxigênio que serviam como reservas, caso o que eles receberam inicialmente se esgotasse.

O tal tributo que eu torcia estava indo muito bem. Escondido em algumas algas e rochas na parte mais profunda, lutava apenas contra fome e contra a sede. Estas eram as maiores inimigas. Ele possuía também um tubo de oxigênio escondido consigo. Até que, de repente, os idealizadores decidiram movimentar o jogo. Era o segundo dia e os tributos estavam muito distantes um dos outros. Nessa edição, muitos estavam vivos nesse segundo dia. Um campo de força começou a diminuir a arena e, na tentativa de fugir, o garoto ficou com o equipamento de mergulho preso entre duas rochas. O capo de força o esmagou.

Eu torço para que alguns tributos estejam em seu perfeito estado para poder caçar os outros. Assim, terá ação e o que ser mostrado nas telas e eu poderei permanecer aqui escondido e me recuperando. Até porque o terceiro dia é tão sinistro que até mesmo o fodido do capeta teria medo de entrar nesse jogo! Tenho que estar preparado.

Não acredito que cheguei até aqui. Mordo meus lábios, em um misto de excitação e desespero.

O hino da capital começa a tocar e os rostos dos tributos mortos aparecem no céu. Isso geralmente acontece após vinte e quatro horas. Eu estava certo quanto a contagem de tributos; vinte e sete mortos e nove vivos, pelo menos até agora.

Vejo a imagem dos outros dois tributos do meu distrito: a garota e o garoto. Isso é até bom, pois assim sou o único representante do distrito seis, fazendo com que todos por lá torçam por mim.

O rosto de Peter é projetado no céu e eu abaixo a cabeça para não vê-lo.

— Você foi um bom aliado, seu fodido! — sussurro.

É muito ruim estar sozinho. Com Peter, mesmo desconfiado, eu pelo menos ficava mais tranquilo. Se eu tivesse que enfrentar o foiceiro ou os dois ruivos, certamente morreria de pânico, antes mesmo de sofrer o primeiro ataque deles. Acho que até mesmo o índio me mataria com sua flecha.

Com o corpo totalmente anestesiado tanto por dentro quanto por fora, preciso somente controlar os meus pensamentos. A ansiedade e preocupação por estar aqui me deixam louco. Fecho os olhos, visualizando minha mãe e qualquer pessoa que eu tenha algum sentimento bom.

Entre um pensamento e outro, adormeço.


Sonho que estou dirigindo um carro e de repente ele explode. Acordo no susto e percebo que o canhão disparou. Odeio quando estou sonhando e algum barulho entra na minha cabeça, interferindo no sonho e me acordando. Pelo menos algo de bom aconteceu: alguém morreu. Infelizmente esse é o fodido pensamento de um tributo.

Alguns raios de sol escapam por entre as folhas e me aquecem. Está consideravelmente quente. Nada comparado ao setor do vulcão, é claro.

Será que já amanheceu há muito tempo? Gostaria de saber exatamente que horas são. Bom, mesmo estando um pouco desnorteado, constato que consegui dormir bastante. Quando adormeci tinha somente passado algum tempo após o anoitecer.

Meu olhar encontra um ferimento cicatrizado em meu braço direito. Impulsivamente, levanto minha blusa e analiso o corte em minha barriga. Não só ele, mas todos os meus machucados estão completamente cicatrizados. Remédio e pomada milagrosos. Nem mesmo sinto dor alguma. Por isso consegui dormir tranquilamente.

Meu pescoço também parece recuperado. Olho para o céu e digo um "obrigado". Constato a recuperação do meu pescoço ao conseguir pronunciar o agradecimento; antes saíam apenas sussurros de minha boca.

Tomo o segundo remédio que havia sido enviado pelos idealizadores e, algum tempo depois, abro a mochila e retiro duas bananas e uma garrafa de água. Não é o suficiente... Acabo comendo mais duas.

Que porra de fome gigante é essa?

Se bem que não me surpreendo. Eu deveria ganhar um óscar por comer e dormir tanto!

A discreta dor ao engolir não me impediu de exagerar. Parece que comi várias pedras de tão pesado que estou!

Afofo o tronco atrás de minhas costas com a mochila e relaxo.

A imagem de minha mãe aparece em meus pensamentos. Várias momentos que passamos juntos, surgem em minha cabeça.

Recordações...

Analiso seu rosto enrugado, cansado de viver e com uma dor insuportável de perda ao ver meu nome ser colhido.

Na noite anterior à colheita, não consegui dormir, por incrível que pareça. Posso dizer o mesmo de minha mãe, pois percebi várias vindas discretas ao meu quarto. Sabe quando uma pessoa está muito doente e você prefere não lhe falar o diagnóstico, já que nada pode ser feito para salvá-lo? Acredito que é exatamente como minha mãe se sentia nesse dia. Seus olhares de dor pairavam sobre mim. Mãe tem essas coisas de pressentimentos. Eu não acreditava nisso, até o dia da colheita.

Ela sentia que meu nome seria bradado naquele microfone fodido.

Me arrumei como de costume e esperei o sinal sonoro avisar o início dos preparativos.

Na fila para registrar meu nome com sangue encontrei com uns amigos e juntos ficamos até a cerimônia. É incrível como a capital tem a tecnologia de projetar toda uma arena e não coloca um leitor de digitais para nos identificar.

Eles gostam de nos ver sangrar.

Foi lido pela cerimonialista o envelope especial típico de um massacre quaternário. Toda edição tem um significado ou uma menção diferente.

"Independente do que esteja acontecendo; independente da luta por igualdade ou qualquer outra motivação para um bem maior; independente da época do ano... Ninguém... — A última palavra é frisada pelo aumento do tom de voz. —... Pode sobrepujar o poder da Capital, pois as perdas seriam ainda maiores. — Houve uma pausa para encarar a multidão. — Sendo assim, para que não esqueçam dessa mensagem, cada distrito enviará três tributos para a colheita desse ano."

A garota foi a primeira: Elizabeth. Não era uma desconhecida para mim, pois é namorada de um amigo meu. Nesse momento, ele sentiu a perda e chorou.

O segundo tributo foi chamado. Não o conhecíamos, mas parecia ser querido. Houve um clamor por parte da multidão que estava perto dele.

— E agora o último tributo do distrito seis — pronunciou a cerimonialista. — Atenção...

Quando meu nome foi bradado no microfone da morte, eu abaixei a cabeça.

E lágrimas surgiram rapidamente em meus olhos.

Nessa hora eu ouvi soluços dos meus amigos que estavam ao meu redor. Todos imóveis, com as cabeças curvadas para baixo, encarando o chão, engessados, tentando administrar os pensamentos e tentando tomar coragem de falar alguma coisa para mim. Um deles tocou em meu ombro esquerdo e quando fui chamado pela segunda vez, me abraçaram desesperadamente.

Eu não conseguia falar nada.

Apenas sentir.

Caminhei pelo corredor que se formou a minha frente após todos se afastarem para eu passar.

Ninguém tinha coragem de olhar para mim.

Olhei para a lateral e vi minha mãe. Ela segurava um lencinho já encharcado. Seu olhar não me passava segurança. Muito pelo contrário, fiquei fodidamente apavorado ao vê-la daquela maneira. Mas não podia parar de caminhar.

Caminhar pelo corredor da morte.

Subi as escadas e a cerimônia chegou ao fim após a última frase ser bradada.

"Bons jogos vorazes e que a sorte esteja sempre ao seu favor."

Foi nessa hora que minha barriga começou a doer.

Uma puta dor!

Me levaram para a sala de despedida e somente duas pessoas poderiam me ver. Primeiro veio meu melhor amigo.

— Lembra de quando a gente brincava de arena no quarteirão de casa? Você sempre foi o melhor.

— Eu sei — respondo. — Mas era apenas uma brincadeira. Agora é real.

— Você vai conseguir, mano. Lembra de nossas conversas, das estratégias mais loucas, das táticas de esconderijo... E fique vivo.

Ele me abraça e o guarda o retira da sala abruptamente. Segundos depois, minha mãe passa pela porta de madeira maciça. Percebo que faz esforço para não demonstrar todo o medo e desespero.

Mesmo assim não consegue.

— Eu não vou suportar te ver na arena.

— Mãe, está tudo bem. Eu vou tentar sobreviver.

— Tito... — Soluça antes de completar a frase. — Ahh, meu Tito.

Ela se joga em meus braços e eu tento acalmá-la. A situação aqui está invertida. Eu faço o papel que ela deveria fazer.

— Mãe, se eu não voltar daquela arena...

— Shii. — Põe o dedo indicador sobre meus lábios.

— Não. — Recolho sua mão para que eu possa falar. — Caso eu não volte, me prometa que vai morar com a tia Jasmin. Não quero que você fique sozinha naquela casa.

— Está bem. Eu prometo — diz entre um soluço e outro.

— O tempo acabou — vocifera o guarda ao abrir a porta.

Minha mãe me abraça desesperadamente enquanto o rapaz puxa seu corpo para longe de mim. A porta bate fazendo um estrondo após os dois passarem.

Estou sozinho.

Não sei quanto tempo permaneci nesse local, mas demoraram a me levar ao trem. Achei que ficaria junto dos outros dois tributos, porém cada um ficou em um vagão. Um inspetor veio me fazer umas perguntas; saber se eu precisava de alguma coisa. Contudo, respondi negativamente. Esse vagão é o suficiente com comidas extravagantes, banheiro, televisão e rádio. Ligo no canal da Capital e vejo notícias sobre os Jogos. Claro que não posso ver muita coisa já que filtram o conteúdo afim de que não saibamos detalhes. Todavia, percebo a excitação do povo para o espetáculo sanguinolento.

Não se fala em outra coisa.

Todo Massacre Quaternário tem suas regras. Esse ano, não podemos conhecer um ao outro, somente os tributos do próprio distrito, já que saímos da mesma colheita. Por isso, no desfile dos tributos, cada um teve uma carruagem separada e uma apresentação por vez. Normalmente os tributos de todos os distritos desfilam juntos, treinam juntos, se veem nas entrevistas e fazem apresentações para os patrocinadores. Esse ano está tudo diferente. Os idealizadores não querem nenhuma interação entre os tributos e as apresentações para os patrocinadores não serão necessárias, pois não terá contagem de pontos.

Fui o primeiro do meu distrito a fazer uma aparição. Subi na esfera flutuante vestindo um manto prateado com a mesma textura do trem da capital e sobre a minha cabeça um chapéu parecido com um freio de mão. Meu distrito é o responsável por todo meio de transporte da capital e os trajes sempre fazem uma alegoria a estes meios.

Eu estou fodidamente horrível nisso aqui. Não quero nem mesmo me olhar em um espelho.

Seguro firme nesse meio de transporte o qual eu nunca vi enquanto sigo o percurso programado. Uma multidão brada ao meu redor e jogam várias coisas sobre mim: flores, lenços perfumados, trevos e outros símbolos de sorte... Apenas fixo o olhar no caminho a minha frente e ignoro todos ao meu redor inclusive os patrocinadores que me observam.

Após terminar o trajeto, a esfera flutuante para no local marcado e eu desço. Sou escoltado até meu quarto onde fico novamente confinado até o dia seguinte. Acordo e vejo que meu café da manhã já se encontra sobre a mesa. Me alimento e me visto com a roupa que deixaram em um cabide. Preciso me arrumar para a entrevista.

O país inteiro paralisará hoje para assistir as entrevistas. Familiares verão o último pronunciamento de seus filhos antes de morrerem.

O nome do entrevistador é Kliff. Ele é da linhagem de Caesar Flickerman, um dos entrevistadores mais famosos e o que teve a honra de entrevistar duas vezes Katniss Everdeen. Sento na luxuosa poltrona e espero as perguntas.

De imediato não respondo nada demais. Apenas nome, idade, distrito de origem, se estudo, trabalho, quais familiares deixei em casa... A plateia reage a qualquer sibilo meu. Se eu chego o corpo para frente, eles repetem o movimento. Se eu recosto na poltrona, assim eles o fazem. Grunhidos surpresos, mãos tapando a boca e olhos arregalados a qualquer movimento ou pronunciação de minha parte.

Assustador.

Imagino minha mãe nesse momento. Imagino sua expressão ao me ver.

— Você tem alguma estratégia para os Jogos?

Eu penso em não falar nada ou fazer nada, como tudo que aconteceu até agora. Porém, meus conhecidos estão me vendo, assim como todo país e todos os patrocinadores. Preciso esboçar um pouco de carisma e tranquilidade. Minha mãe precisa ficar tranquila ao me ver.

— Quando eu era criança, costumava brincar de Jogos Vorazes — Kliff ergue as sobrancelhas como se eu tivesse chamado a sua atenção, assim como todos na platéia que soltam um "ohhhhh". — O quarteirão de minha casa era a arena e meus amigos e eu os tributos.

— Que interessante. Conte-nos mais — Kliff sorri e bate palmas mostrando excitação.

— Esse era um passatempo comum. Simulamos todos os tipos de jogos e por isso, tenho muitas estratégia em mente. — Faço uma careta de esperto.

— Não faça suspense, Tito. Nos dê a honra de descobrir uma estratégia de um profissional em simulações de Jogos. — A plateia delira com sua questão.

— Não sei se eu deveria — apoio o queixo sobre a mão como se refletisse sobre o assunto, fazendo um certo charme.

Funcionou.

Todos ficam vidrados em mim, a espera de uma resposta.

Consegui a atenção da audiência.

— Eu costumava ser o mais veloz. Talvez consiga pegar algo útil na cornucópia e sair antes do banho de sangue.

— Isso é interessante não é pessoal? — Todos bradam confirmando sua questão. — Mas e sobre o combate? Você é bom no corpo a corpo?

A plateia não se contém.

Loucos.

— Quando meu amigo foi se despedir de mim, disse que eu era o melhor jogador. Eu costumava ser bom nessa brincadeira. Quem sabe agora eu seja realmente bom.

— Estou curioso pra ver seu potencial nesse jogo real. Senhoras e senhores... — Ele se levanta e estende minhas mãos como em um sinal de vitória. — Esse foi Tito, um dos tributos do distrito seis.

Todos se levantam eaplaudem, enquanto sou levado novamente ao meu luxuoso quarto.    


Sinto algo rasgar minha orelha esquerda, arrancando um pedaço de minha pele e me tirando abruptamente de meus devaneios.

Isso doeu. Isso doeu muito.

Giro o pescoço e vejo uma flecha cravada na árvore, ao lado de minha cabeça.

Alguém tentou me matar.

Uma flecha mortal.

Olho para baixo desesperado tentando encontrar a pessoa que feriu minha orelha e sinto sangue escorrer pela mesma. Percebo movimento em uma moita alguns metros à frente.

A pessoa sai de seu esconderijo e caminha em minha direção. Raios de sol penetram por entre as árvores de uma maneira que embaça minha visão, não permitindo que eu veja sua face.

Eu preciso sair daqui.

Tento desamarrar a corda que me prende a árvore, mas por algum motivo, nervosismo talvez, não consigo.

Meu oponente se aproxima ainda mais. Os raios de sol passeiam ao seu redor, como se o acompanhassem. Contudo, alguns passos antes de chegar na árvore a qual estou, consigo visualizar sua fisionomia.

— Não pode ser — sussurro aflito de uma maneira como nunca estive antes.

O choque ao lhe ver é tamanho, que nem mesmo continuo tentando me desprender.

Ele posiciona o arco nas costas e se prepara para subir no tronco. Eu poderia pegar uma das facas ou as lâminas do ruivo para cortar as cordas e me defender, porém não consigo esboçar reação alguma.

Estou completamente congelado desde que o vi sair daquela moita. Sua flecha quase me matou e agora ele sobe na árvore para terminar o serviço.

Meu falecido aliado está tentando me matar.

— Que porra é essa que tá acontecendo aqui?

Iaí, tributos!!!

Chegamos na 2° parte do livro. Espero que tenham curtido até aqui e que a segunda parte seja ainda melhor! 

Me digam: que final foi esse?

Ideias?

#CorreTito

Até o próximo capítulo!

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