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Depois que saiu do banheiro, foi direto até o quarto de changbin com o cabelo meio úmido pelo banho e as roupas trocadas. Contra sua vontade, o azulado lhe emprestou um conjunto de calça e camisa de manga longa para dormir.

No quarto, changbin ajeitava o colchão para o australiano dormir, colocando a roupa de cama e o travesseiro, organizando tudo antes de ficar de pé e encarar o mais velho com raiva. Ah, ele estava doidinho para matar o australiano, e chan sabia disso e iria se aproveitar para rir um pouco.

— nossa que homem prendado arrumando a minha cama. — changbin jogou o travesseiro que estava na mão em direção ao rosto do ruivo, mas christopher conseguiu segurar a tempo, rindo da carinha emburrada do menor. — pra que essa violência toda, meu gatinho? — indagou jogando o travesseiro no colchão ao lado da cama do baixinho, fechando a porta antes de sentar onde iria dormir aquela noite.

— cala a boca. — exigiu, tirando um pijama qualquer do guarda roupa que ficava em frente a cama. — vou tomar banho, não mexa em nada. — avisou marchando até a saída, mas chan segurou no seu tornozelo, impedindo que ele andasse.

O ruivo ergueu o rosto até um changbin confuso, curvando os lábios num sorriso arteiro.

— você vai demorar muito? Não quero ficar aqui sozinho, seu quarto é assustador. — dramatizou sem largar o pé do garoto. Changbin revirou os olhos com exagero, balançando a perna para se soltar do aperto dele.

— espera aqui. — disse e saiu em seguida, voltando alguns minutos depois com o gato preto que chan viu mais cedo.

Changbin se abaixou rente ao australiano e colocou o bichano no seu colo, acariciando os pelos escuros do gatinho antes de ficar de pé.

— agora você não tá sozinho.

E saiu de novo, desta vez encostando a porta.

Chan olhou para o pequeno animal em seu colo e depois para a porta, dando de ombros pela reação estranha do baixinho. Joey — nome que chan viu na coleira do gato — dormiu no mesmo instante que deitou em seu colo, o que foi uma surpresa para ele, todos os gatos que já trombou pela vida o odiavam instantaneamente, mas o bichinho parecia muito dócil e calmo, esfregando suas orelhinhas no peito do bang até ronronar e dormir. Chan ficou petrificado no lugar, tomando cuidado até mesmo para não respirar alto demais e assustar o bichano. Ele parecia tão em paz no seu colo que acreditava ser um crime querer perturbá-lo.

Demorou um tanto para changbin surgir novamente, desta vez com o cabelo azul caído pelas laterais do rosto e uma roupa folgada, como sempre estava usando, mas desta vez era somente uma camisa qualquer branca e uma calça que se utilizava um cordão na cintura para não deixá-la cair. Ele entrou no quarto e deixou a toalha em cima da cadeira da escrivaninha, fitando o australiano estagnado como se tivesse sido pausada no tempo. Então viu jeoy dormindo no colo dele e juntou uma coisa na outra, sendo inevitável não rir pelo jeito sério que o ruivo agia.

— pode respirar, ele não vai sair daí. — disse enquanto engatinhava para cima da cama, observando o bang enfim respirar normalmente.

— fiquei com medo dele sair correndo se eu me mexesse. — explicou. — geralmente gatos me odeiam.

— geralmente o joey odeia todo mundo. — disse ajeitando seu travesseiro. — ele mora com a gente desde pequenininho, mas ainda estranha a liam. Ele só é carinhoso comigo e estela, e aparentemente com você também.

— nem do seungmin ele gosta?

— seungmin é quem ele mais detesta. — acabou rindo no final, fazendo o australiano rir também. — acho que ele tem ciúmes do min.

— por que? — changbin deu de ombros, mesmo que o outro não estivesse vendo.

— talvez porque o seungmin é todo grudento comigo. — falou pensativo, fitando pelo canto do olho chan colocar joey deitado em seu travesseiro e deitar no cantinho restante. — vai deixar ele dormir aí? Vai encher de pelo.

— não tem problema. — esclareceu sem notar o sorrisinho pequeno que crescia em changbin por ver a cara de bobo do bang ao olhar pro pequeno animal dormindo ao seu lado. — ele é fofo.

Aproveitou que chan não podia ver e deitou na direção dele e de joey, usando o braço como apoio para cabeça, ele suspirou baixinho quando chan pincelou um beijinho no topo da cabeça do gatinho e se virou de repente em sua direção.

Seus olhos se conectaram como se estivessem interligados por uma linha invisível. Em completo silêncio, chan deixou sua musculatura relaxar e observou o choque de changbin pela aproximação se suavizar em seu rosto como pétalas de flores voando do seu caule. O azulado também relaxou, como se não ligasse para quão próximo o ruivo estava ou pelo jeito que ele o encarava como um lunático apaixonado, pois sabia chan não estava apaixonado e changbin não precisava se preocupar com isso.

— você também é fofo. — declarou por acaso, mas ao notar o que disse, o ruivo se retraiu de vergonha, querendo se esconder. Changbin apenas soltou uma risadinha e deu um peteleco fraco no seu nariz, como fazia às vezes. Não doeu, tinha sido mais cuidadoso do que na primeira vez.

— sei disso. — chan o encarou com tédio e changbin riu um pouco, substituindo seu braço pelo travesseiro, deslizando para ponta da cama a fim de observar o bang deitar de barriga para cima. — ruivo, o que você achou das minhas mães?

— elas são lindas.

— sim, elas são. Mas tô falando sobre outra coisa.

— sobre elas serem um casal? — o menor assentiu. — assumo que fiquei bem surpreso no início, mas sei lá, é normal.

— normal?

— sim. Não é por que elas são lésbicas que vão ser mães ruins, né? Posso dar vários exemplos de casais heterossexuais que são péssimos pais. E elas te amam muito, então eu não tenho nenhuma opinião sobre, apenas é normal.

Changbin demorou um pouco para raciocinar as palavras do mais velho, e nesse meio tempo o gatinho ao lado da cabeça do bang acordou e se enterrou embaixo dos cobertores dele, deitando ao lado da sua costela.

— então tá tudo bem pra você? — changbin indagou.

— por que não estaria?

— não sei.

— marrentinho, eu não sei que tipo de pessoa horrível você acha que eu sou, mas eu não vou te julgar só porque você tem duas mães. Você é feliz assim e elas são felizes por te ter, então o que eu tenho a ver?

— normalmente as pessoas não levam isso tão na boa.

— porque elas são preconceituosas.

— sei disso, mas acontece com frequência e eu… — changbin suspirou, aparentando ter desistido de explicar seu ponto no meio do caminho. Chan o viu deitar olhando para o teto, não sabendo dizer que tipo de expressão o azulado tinha agora. — não te acho uma pessoa horrível, desculpa se fiz parecer isso. Eu só não consigo confiar nas pessoas tão facilmente.

— eu entendo, também sou assim.

— você é? — changbin o olhou descrente. — você literalmente ficou me perseguindo por sei lá quantos dias alegando que me queria na sua banda, e nem mesmo sabia se eu era um bom baterista. Você confia em mim sem nem me conhecer direito.

— se você me deixasse te conhecer melhor, ainda sinto que confiaria em você.

Changbin ficou receoso por um momento, evitando olhar para o outro. Chan apertou os olhos e ergueu uma mão, segurando nos dedos de changbin que escapuliram para fora das extremidades da cama, já que o braço dele estava jogado de qualquer jeito nos lados do colchão. O azulado tomou um baita susto, puxando a mão para cima no mesmo instante que os dígitos do maior roçaram a pele dos seus dedos.

— o que você pensa que está fazendo? — indagou ruidosamente, olhando para o rapaz deitado no chão com muita seriedade.

— desculpa, eu não…

Changbin bufou e decidiu deitar virado para a parede, ignorando o garoto ao lado. Chan estapeou as próprias bochechas, se perguntando o que pretendia fazer com aquilo. Foi realmente seu impulso falando mais alto desta vez, as mãos de changbin pareciam tão boas de segurar apesar de aparentarem ser ásperas pelo uso excessivo das baquetas, e quando viu uma delas ali pertinho pensou em como seria segurá-la um pouco, nem que fosse por meros minutos, mas tinha estragado tudo agindo como um tolo.

Decidiu por fim na sua estupidez e ir dormir de uma vez, e agora com as luzes apagadas, chan respirou o cheiro agradável da madrugada e fechou os olhos, mas sem sucesso para dormir. Não sabia dizer se changbin estava dormindo, porque ele realmente não se mexeu mais depois do ocorrido, talvez bravo pela atitude repentina do ruivo. Chan esperava que isso não fosse fazê-lo odiá-lo. Mexeu um pouco no celular e conversou com Minho sobre mais cedo, e ele falou que felix tinha chegado em casa em segurança e que ele queria conversar com o bang na manhã seguinte.

Ficou aliviado por felix não ter nenhuma outra intromissão depois de ter apanhado, e não quis pensar sobre o que ele tinha dito mais cedo, apenas do outro australiano estar arrependido do que disse e querer se desculpar já parecia ser o suficiente. O ruivo sabia que felix não tinha falado aquilo de propósito, ele só era imprudente às vezes, e entendia que os dois estavam de cabeça quente e falaram mais que o necessário naquele momento. Esperava que isso se resolvesse logo, odiava ficar brigado com um dos seus amigos, principalmente felix por quem tinha um carinho enorme e o via como um irmão que nunca teve.

Quando minho avisou que ia dormir, chan puxou o cobertor até a altura do nariz, notando que joey tinha sumido. Quando olhou para o lado, o gatinho estava sentado perto da porta, como se aguardasse por ele. O ruivo se ergueu com preguiça e com cuidado girou a maçaneta da porta, mas ser silencioso nunca foi seu forte, por isso quando foi fechar a porta depois que o bichano saiu, ela bateu no seu pé e ele acabou grunhindo alto de dor. Tão alto que assustou changbin que estava realmente dormindo.

— o que foi isso? — o seo indagou ligando a lanterna do celular e iluminou o bang sentado perto da porta, massageando o pé atingido.

— a porta bateu no meu pé. — choramingou, mordendo o lábio para abafar sua vontade de gritar pela pancada.

— eu deveria parar de duvidar da sua imbecilidade. — resmungou ficando de pé.

Changbin puxou chan pelo braço e o arrastou até sua cama, pedindo para ele sentar ali e ele iria ligar a luz para ver se tinha quebrado alguma coisa, uma vez que o som da pancada foi realmente alta. Agradeceu que o quarto das suas mães era longe, se não elas já estariam ali despejando perguntas ao australiano e tentando levá-lo ao hospital.

Chan ficou balançando o pé para fazer a cãibra sumir, mas a dor apenas piorou. Não notou quando changbin ficou ajoelhado na sua frente, já que estava de olhos fechados tentando fazer a dor sumir por pedidos mentais, exigindo que seu cérebro parasse de machucá-lo daquele jeito. O azulado tocou no seu pé com as mãos frias e bang quase o chutou por reflexo, mas o baixinho era firme e ele segurou antes que o ruivo lhe desse um pontapé bem no peito. Ele ficou massageando seu pé até a dor sumir completamente, o que foi bem mais rápido do que imaginava.

Foi grato a qualquer divindade que existisse por ele estar de cabeça baixa, pois assim ele não notou a vermelhidão que se apossou do seu rosto. O cabelo dele parecia brilhar perante a luz do quarto, um azul tão escuro que era quase impossível vê-lo com pouca luz, mas agora, chan podia ver até às mechas que o baixinho precisava retocar, e pelos céus, parecia tão macio de tocar e apertar. Quis afundar seus dedos ali, mas já tinha agido impulsivamente demais hoje e não repetiria isso em respeito a sua dignidade.

— ainda dói? — ele perguntou, erguendo o queixo na sua direção.

Chan engoliu seco quando changbin o observou com aqueles olhos pequenos e expressivos, cheios de mistérios e segredos. Ele fitou seus lábios cheinhos e pequenos entreabertos, atrativos como pêssegos maduros.

— você tá me ouvindo, idiota? — recebeu um soco fraco na coxa, que quase o fez gritar. Changbin não era nem um pouco delicado, ao contrário, suas mãos eram bem pesadas.

— eu tô. — resmungou com um bico. — já parou de doer, obrigado.

— tá, tudo bem. — ele ficou de pé, indo apagar a luz de novo.

Chan ainda estava na sua cama quando ele se virou, e aquilo acarretou em um semblante confuso por parte do menor.

— da pra você sair daí?

— o colchão da sua cama é bem mais macio que o meu. — disse passando a mão pelo espaço onde changbin dormia antes. Estava quente e tinha um cheirinho agradável de amaciante. — me deixa dormir com você?

— não abusa da minha bondade, ruivo.

— por favor, marrentinho.

— não.

— gatinho, por favor. — chan puxou de levinho a parte debaixo da camisa dele, fazendo bico ao pedir.

Changbin mordeu o lábio e passou a mão pelo rosto, impaciente e cansado. Ele subiu na cama, deitando no cantinho da parede.

— você não pode passar desse limite. — colocou o polvo roxo entre eles. — entendeu?

— como quiser.

Pegou seu travesseiro e cobertor no colchão de baixo, se deitando no espaço que sobrou, longe daquele troço esquisito que o azulado tanto gostava. Chan deitou-se de costas e changbin fez o mesmo. Dava para sentir a presença do outro perto, e não era ruim, ele tinha uma aura calma quando estava quase cochilando, como se não fosse tão intimidante e assustador acordado.

Chris dormiu tão rapidamente que nem viu quando o seo virou na sua direção e se encolheu perto das suas costas, sua cabeça encostada na extensão da coluna dele. O senhor polvo que antes era usado para afastar os dois foi abraçado por changbin, e ele caiu no sono em seguida.

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ola pessoas, o que estão achando da história?

alguma crítica construtiva em relação ao desenvolvimento dos personagens ou quanto aos relacionamentos secundários? Tem algo que vocês querem ver em relação aos outros casais da história?

qualquer dúvida, podem perguntar, vou responder assim que possível.

até mais !

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