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Changbin não veio.
Chan passou a tarde toda a espera do baterista baixinho, mas ele não deu as caras. Se tivesse pensando no dia anterior, teria pedido o número dele a seungmin — tinha certeza que o menor negaria se pedisse diretamente a ele, então pegar pelo castanho seria mais fácil. No entanto, era tarde demais para ficar se lamentando.
O dia seguiu agitado, as poucas pessoas que apareceram para concorrer ao papel de baterista da banda eram boas, mas não ao gosto de chan. Minho e jisung tinham conseguido ir ajudá-lo na seleção, até mesmo felix junto com jeongin apareceram, todo o time reunido, mas ainda assim nada grande aconteceu. As pessoas eram medianas, algumas boas, mas quando entravam em uma discussão particular, o lee de sardas entregava uma ficha extensa de motivos para não deixar o citado entrar para banda, seja por seu passado sujo ou suas atitudes ruins atualmente. Coisas que podiam manchar a imagem da 3rd Eye.
No final, minho fez promessas falsas para aqueles que pareciam esperançosos para fazer parte do quinteto, e logo após as dispensava. Chan não aprovou aquela atitude, porém nenhum dos cinco parecia muito dispostos a ser honestos e falar na cara de toda aquela gente que eles não tinham o que era necessário para banda.
— o que a gente faz? — felix indagou deitado no chão do porão, onde as reuniões e ensaios da banda aconteceiam, observando o ruivo andar pra lá e para cá pensativo, a maior denúncia disso é o jeito que a unha do seu polegar estava sendo maltratada por seus dentes, ele mordia sem realmente roer, apenas para aliviar a ansiedade.
— nem sinal do azulão? — minho olhou para os demais, à espera de uma resposta, mas todos ficaram em silêncio absoluto.
— como ele não apareceu, a gente vai ter que aceitar outra pessoa na banda. — jeongin disse. — aquele garoto de arquitetura até tocou bem, vocês não acham?
— sim, mas vocês viram o jeito esquisito que ele ficou olhando pro ji? Não gostei nem um pouco. — minho resmungou jogado ao lado de felix, a cabeça apoiada na barriga do outro lee. Do canto, sentado sobre alguns puffs coloridos, o citado encolheu os braços, mostrando indiferença.
— se tiver que ser ele, eu não me importo, precisamos de um baterista de qualquer forma. — o han proferiu.
— sim, você tá certo, mas se for para ter alguém que não te respeite na banda, é melhor cancelarmos nossa participação no concurso. — chan se manifestou, parecia um pouco chateado ou frustrado com algo — ou alguém. — ainda temos até amanhã, talvez alguém melhor apareça.
O restante dos garotos ficou em silêncio, mas era como uma concordância mútua. Quando já era um pouco mais tarde, eles juntaram suas coisas e se despediram do australiano mais velho, indo cada uma em uma direção.
Chan os observou indo embora antes de entrar em casa, se vendo abraçado pela solidão do ambiente. Ele apagou as luzes da sala e seguiu até o porão, se deitando sobre os puffs grandes com seu baixo sobre o colo, ele dedilhou algumas notas, mas apenas um ruído ruim saiu. Estava tão frustrado nesse momento.
Decidiu fechar os olhos e pensar em coisas positivas, como um dia de sol numa montanha, ou um resort na praia e até mesmo filhotes de cachorro. Sempre quis ter um, mas sua mãe era alérgica a pelos e seu pai não apoiaria, achava o rapaz muito irresponsável para cuidar de outro ser vivo. Bom, agora eles não estavam aqui, talvez eu pudesse adotar, pensou abrindo vagarosamente os olhos.
Escutou de longe a campainha tocando, ponderou seriamente se deveria mesmo ir atender, mas acabou indo quando a pessoa parecia bem insistente. Enquanto subia até a sala, pensou que pudesse ser jeongin ou minho, eles eram os que mais esquecem coisas em sua casa, seja roupas ou outros pertences. Tinha uma parte no guarda roupa apenas de roupas deles que foram esquecidas, desde camisetas a shorts. Não sabia como isso acontecia, raramente os dois vinham dormir na sua casa, quem mais fazia isso era felix, e nem um brinco era deixado para trás pelo rosado, ele tinha muito apego por suas coisas.
Atravessou a sala arrastando os pés, em seu celular marcava exatas dez e meia da noite, não tinha um pingo de sono e apostava o pouco dinheiro que tinha guardado que não dormia nem tão cedo naquele dia estressante. Talvez devesse ir ao médico novamente e pedir por mais remédios para dormir. Ele abriu a porta sem checar antes quem era pelo olho mágico, por isso a imagem de changbin o surpreendeu. Ele estava bem ali, parado na sua porta com o cabelo desarrumado e roupas casuais — regata preta e shorts da mesma cor —, carregando uma bolsa com um chaveiro do Minions pendurado. Ao seu lado, estava seungmin, ele tinha um sorriso vitorioso no rosto, enquanto o menor parecia a ponto de explodir.
— boa noite? — chan proferiu sem realmente saber como iniciar algum diálogo.
— boa noite, chan hyung. — seungmin foi o único que respondeu. — ainda dá tempo pra fazer a audição?
— bom, a gente já acabou, e meus amigos já foram pra casa. — por um segundo jurou ter visto o seo sorrir. — mas posso abrir uma exceção pro changbin.
Bom, ele realmente teve ter visto coisa, porque o jeito que o azulado o encarou fez seu sangue gelar. Acreditava fielmente que changbin poderia pular em seu pescoço ali mesmo se o castanho não estivesse praticamente o segurando pelo ombro.
— olha só que coisa boa, binnie. — changbin apenas manuseio a cabeça num aceno, tentando sorrir. — vou deixar meu amigo aos seus cuidados, preciso voltar pra casa, tenho um jantar em família pra encarar. — ele sutilmente empurrou o seo em direção ao australiano, se afastando em passos ligeiros. — boa sorte, chan hyung! — gritou já perto de um carro, entrando nele em seguida.
Chan realmente queria que ele tivesse ficado, estava com medo de changbin e do que ele podia ser capaz de fazer. Mas ao contrário do que pensou, o seo apenas suspirou e entrou na sua casa sem protestar ou espernear, talvez realmente convencido que aquele era seu destino. Chan pensou em oferecer uma água ou até um suco, mas o jeito que o azulado apertava a alça única da bolsa mostrava que ele estava impaciente, então apenas o pediu para segui-lo, guiando ele pelo caminho que fazia todos os dias. A estrutura da casa em si era enorme, maior do que realmente queria, porém apenas o corredor ao lado da escada era mais usado.
Passando por uma portinha um tanto quanto pequena, e descendo por escadas de madeira que rangiam pelo tempo, eles chegaram ao porão, um lugar espaçoso e um pouco abafado, mas com o tempo você simplesmente ignorava o fato que a ventilação ali era quase zero, mas o ar condicionado ajudava a deixar o ambiente menos claustrofóbico. As paredes foram pintadas por chan, mas o latanja já estava descansando, e os pôsteres das paredes caindo, porém jisung dizia que era um tipo de estilo, então nenhum dos garotos se mexiam para retocar a cor ou mudar a decoração. Fora isso, o chão era de carpete macio, e tinha vários puffs coloridos espalhados, alguns verdes ali, outros rosas lá.
Os instrumentos dos seus colegas também estavam ali, a guitarra de minho no suporte no chão, a de jisung ao lado, o teclado de felix estava ao lado da bateria que chan tinha comprado a pouco tempo. Fora seu baixo ainda sobre os puffs quando o abandonou ali para abrir a porta. Observou changbin olhar ao redor em silêncio, não parecia admirado até seus olhos caírem sobre a bateria de coloração preta. Ele andou ao redor do instrumento totalmente maravilhado, como uma criança num parque de diversões.
— você gostou? — chan indagou com um sorriso bobo, e changbin nem mesmo conseguia responder de tão deslumbrado.
— cara, só o kick dessa bateria custa meus dois pulmões. — chan riu por seu comentário. — ela é simplesmente incrível.
— e pode ser sua se você aceitar minha proposta. — num instante o azulado retomou sua postura, erguendo a guarda novamente. O bang abaixou os ombros, vendo que ele ainda não parecia tão convencido da ideia de entrar para a banda. — qual é, marrentinho? Nem somos tão ruins assim. — estendeu as baquetas em direção ao menor, sem fraquejar mesmo que ele estivesse fazendo aquela cara de quem iria matá-lo.
— não me chama disso.
— você prefere gatinho?
Changbin mordeu o lábio, suas orelhas vermelhas de irritação — ou vergonha. Chan queria rir, vê-lo bravo era fofo.
— sobre o dinheiro. — o azulado mudou de assunto. — quanto é o cachê de vocês?
— depende do lugar onde a gente se apresenta, mas a grande maioria são bares um tanto conhecidos do centro. — changbin assentiu vagamente. — te garanto que é muito, ainda mais porque você vai ficar com a minha parte. — o azulado parecia receoso sobre algo, então o ruivo decidiu contornar a situação. — como eu te disse, dinheiro não é o problema aqui. Então, você aceita?
Ele olhou para seu rosto e depois para as baquetas, coçando a testa em seguida, como se fosse se arrepender disso no futuro. Changbin deixou a bolsa no chão, encostada na parede, ele pegou o objeto das mãos do ruivo e foi até a bateria, um sorrisinho nascendo em seus lábios. Ele sentou atrás dos equipamentos e olhou para o ruivo, e chan acreditava que um tipo de eletricidade cresceu em suas íris de cor escura. Changbin parecia carregado de algum tipo de luz, como se ali fosse seu lugar. Ele girou as baquetas entre os dedos, as balançando para lá e pra cá enquanto divagava.
— qualquer música? — indagou olhando pro ruivo.
— dê o seu melhor, marrentinho. — changbin revirou os olhos e chan sorriu.
Levou pouco tempo até o baixinho se acostumar com as peças do instrumento, e quando estava pronto, iniciou calmamente. Em um instante, o ruivo conheceu a música escolhida por ele. O solo de bateria de Enter Sandman do Metallica ressoou em seus ouvidos como um trovão rasgando o céu, changbin estava todo centrado em não errar e ao mesmo tempo olhava para o australiano como se estivesse o desafiando. Chan recuou alguns passos e ficou petrificado, não era um solo muito fácil, havia muita coordenação motora e o australiano demoraria muito para pegar toda a música, mas o azulado realizou aquilo com perfeição.
Em seu ápice, changbin sorriu enquanto mexia as mãos e acertava os pratos da bateria, os fios azuis grudando em sua testa pelo suor. Ele parecia muito imerso. Chan sentiu suas pernas fracas quando ele acertou todo o refrão, jogando as baquetas para o ar e as pegou para finalizar. Changbin sorriu meio ofegante, ajeitando a franja grandinha do cabelo que escorria por seu rosto, ele olhou atentamente para o ruivo que parecia em êxtase.
Ao vivo era totalmente diferente, chan pode ver cores sobressaltando do menor, como se ele fosse um ponto de luz no meio do breu. Sentiu vontade de pegar a guitarra de jisung e acompanhá-lo, mas estava totalmente entregue ao momento, imovel e sem saber como agir. O sorriso, o jeito dele agir, as mãos sempre atentas, ele não parecia o changbin que estava sempre o evitando e fazendo careta ao vê-lo, ali atrás da bateria, ele era outra pessoa. Talvez seu "eu" de verdade.
— não vai se apaixonar, hein. — o seo brincou, enxugando o rosto com a camiseta. Chan desviou os olhos, coçando a orelha enquanto tentava se recolocar nos eixos. — então, o que achou?
— você é incrível. — não conseguiu se conter, e sua escolha de palavras surpreendeu changbin. — eu quero muito tocar com você um dia.
— tocar, é?
— música, changbin!
Changbin riu alto, se inclinando para trás. Na sua frente, o australiano estava tão vermelho quanto o cabelo.
— você é bem mente suja.
— você vai ter tempo pra se acostumar, ruivo. — changbin sorriu pequeno, entregando as baquetas ao bang.
Ele apanhou a bolsa no chão e olhou para chan novamente, seus olhos fixos nos dele. Chris sentiu o ar sumir, ele estava tão perto e parecia tão bonito, evitou que seus olhos descessem, era um caminho sem volta. Então, sem mais nem menos, o baixinho deu um peteleco em seu nariz e subiu as escadas, deixando o australiano para trás totalmente confuso e com a ponta do nariz doendo.
Ele seguiu changbin até o andar de cima, um silêncio estranho cresceu entre eles e chan ficou incomodado.
— hm, então. — chamou a atenção do outro. — posso falar pro resto da banda que você tá dentro?
— sim, mas não vou ficar de forma definitiva. Preciso desse dinheiro pra algo importante, então quando o concurso acabar, cada um vai seguir seu caminho. — ele falou aquilo de forma tão fria e séria que o ruivo apenas assentiu, um pouco amuado. Ele tinha voltado a ser aquele changbin arisco.
— tudo bem, se é assim que você quer.
Eles se olharam em silêncio e o azulado avisou que precisava ir embora. Tentou argumentar se propondo a levá-lo em casa, mas o menor negou, alegando que poderia pegar um ônibus. Até mesmo se dispôs a ficar com ele no ponto de ônibus, só para não deixá-lo sozinho, mas foi dispensado novamente, e então desistiu. Era tarde e ficou preocupado se ele ficaria bem, mas não forçaria sua preocupação em cima do garoto, o deixaria ir como bom entendesse.
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