Capítulo 27

Nota rápida da aurora: Olá, galera! Sim, eu voltei. Ouço aplausos, hahah! À todos que deixaram comentários horríveis na última nota, espero que ainda estejam aqui para presenciar a minha volta.

* Capítulo dedicado à todos os leitores que decidiram me esperar, compreenderam a minha situação e acreditaram no meu trabalho. Vocês são brilhantes!! * ❤ Mas vamos ao que interessa. Beijos!!

Barbara me olhava com uma expressão desesperada, sem saber o que dizer e esperando que eu dissesse mais alguma coisa.
Sua pele brilhava sob as lágrimas e a minha ardia de raiva.
Naquela sala só se podia ouvir a respiração acelerada de ambos, Barbara apreensiva e eu explodindo de ódio, me sentindo enganado. O que de fato eu fui.

- Você precisa ir pra casa. -Barbara disse num tom monótono. -Há coisas que estão acontecendo lá e você não sabe.-ela disse se sentando na cadeira e erguendo a cabeça, cansada daquele silêncio.

Minha mente era um turbilhão de pensamentos, não consegui pronunciar uma palavra sequer para perguntar o que havia em meu lar. Apenas engoli em seco, tentando desfazer o nó que se formava em minha garganta.

- BENJAMIN! -Barbara gritou ao me ver pronto para abrir a porta. Eu parei e me virei para uma Barbara desanimada.- Você não vai dizer nada?

Eu a encarei e, como uma pessoa inteligente como ela, saberia interpretar o meu silêncio.

Dessa vez a recepcionista já estava em seu devido lugar, com os olhos mais arregalados que o normal. Quando me viu, foi em um pulo que ela chegou até a porta do consultório dizendo algo como "O que aconteceu aqui?".
O meu coração estava acelerado e eu tentei respirar normalmente. Eu estava preocupado, magoado, triste demais para criar história mentais, desesperado para saber o que estava ocorrendo em casa. Eram muitos sentimentos que eu não conseguia controlar. Tudo que conseguia fazer era andar mais rápido que eu podia, quase não estava podendo, de repente apareceram muitas pedras no caminho e eu tropecei em todas; a respiração no ritmo do coração e a cabeça a ponto de explodir.

- Aconteceu alguma coisa, mãe? -atendi o celular no primeiro toque e atravessei a rua em meio aos carros. Eu precisava parecer calmo para falar com ela.

- Sou eu, Vina...

- Seu desgraçado, por que você fez isso?!!! -gritei tentando ultrapassar o som da buzina estridente do táxi.

- Calma, cara. Eu fiz para o seu bem. Mas...

- Para o meu bem?!! Você queria pagá-la! De onde iria tirar dinheiro, meu caro?...

- O problema é exatamente esse: dinheiro. -ele me interrompeu com uma voz embargada.

- Por que está usando o telefone da minha mãe? Ah, claro. Não tem grana nem para fazer uma recarga. -ironizei sentindo lágrimas molharem a minhas bochechas.

- A Laurinha! -ele fungou. Não sabia exatamente se estava chorando. Mas não foi difícil me desesperar.

- A minha filha! O que aconteceu. Meu Deus! -fiz sinal para um ônibus e embarquei.

- Benjamin, preste atenção. Você tem algum dinheiro guardado? Tipo valor alto mesmo...-ele estava sério e falando com pausas demais para o seu normal. Isso era preocupante.

- Não é hora de pedir dinheiro, né?! -falei mais alto do que gostaria e as pessoas me olharam, não sei se por causa da voz alterada ou minha mãos trêmulas e o semblante sofrido. -Vinicius eu estou te odiando no momento. Eu Prometo te dar uma surra quando chegar aí e te pôr pra fora da minha casa. Mas primeiro me diga o que Laura tem a ver com isso tudo! -supliquei.

Vina fungou mais algumas vezes me causando uma mistura de irritação e preocupação. Esperei que ele falasse, mas tudo que ouvi foi o som repetitivo do fim da ligação.

***

Eu queria que aquele ônibus voasse e chegasse logo em casa pra eu saber o que estava acontecendo, depois de ligar para Vina mais de sete vezes. Demorou, mas por fim cheguei ao meu destino.

- Me desculpe, senhora! -gritei depois de esbarrar numa velhinha que quase foi para fora do ônibus junto comigo.

Não andei muito para chegar ao meu portão que estava escancarado como se alguém precisasse passar o tempo todo alí e fosse inútil mante-lo fechado por qualquer minuto; os cômodos escuros com excessão da sala onde Vinicius andava de um lado para o outro ora roendo as unhas, ora verificando o celular que não era dele.

- Pois bem, eu cheguei. -falei num tom falso de calma.

Pelo menos Barbara me ensinou algo além de não confiar nas pessoas, algo como manter o controle, atuar em determinadas situações, como um ator de verdade, fazer um roteiro rápido e mental de acordo com quem você gostaria de ser naquele momento, ou como gostaria/precisaria reagir naquela hora. E eu precisava ser um homem calmo, desprovido de ódio e sensato.

- Ben, eu não sei o que fazer! -Vina correu para perto de mim como se eu tivesse a solução para os seus problemas, por um momento achei que ele me abraçaria e criei rapidamente um plano em mente de joga-lo pela janela se ela fosse um pouco mais baixa e não tivesse tela de proteção. -Você precisa me ajudar. -seus olhos marejaram.

- Eu estou cansado dessa tua cara de coitadinho que aparece exatamente quando precisa de ajuda. Eu não sou mais o seu irmãozinho pra todas as horas que deixa você chegar bêbado na madrugada e se jogar no sofá! -cuspi as palavras perdendo totalmente o controle da minha atuação. -Eu sinceramente não sei o que você quer da vida, cara! Mas você ferrou com a minha e agora vem choramingar por conta dos seus problemas?! -dei uma risada irônica o que fez a lágrima descer devido ao encontro da minha bochecha com parte do olho. -Acabou a moleza, seu Vina. A partir de agora você suma da minha ca...

-Levaram a Laura. -ele soltou isso, me interrompendo.

Como assim levaram a Laura? A minha filha... O quê?...

- O quê?! O que você está dizendo? -os meus olhos se arregalaram e eu saí pela casa à procura da minha filha. -Vina... O que é que você está falando?

Eu comecei a chorar como um bebê que perdeu a chupeta em meio aos lençóis do berço. Enquanto erguia as cortinas -no desespero até embaixo delas eu procurei Laurinha- fazia inúmeras perguntas à Vina tentando arrancar alguma informação e torcendo muito que ela não fosse ruim, mas ele só sabia soluçar e me puxar pelo braço tentando me acalmar, da mesma forma que fez no hospital quando eu tentava destruir parte da sala por causa da morte de Helena.

Eu não suportaria perder mais uma pessoa assim na minha vida, seria demais para mim.

Eu não conseguia entender. Talvez houvesse uma seleção de pessoas destinadas a serem felizes e serem infelizes, eu não sei, é só uma coisa que me veio à cabeça pra tentar explicar toda essas coisas. O que mais poderia ser?

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