Capítulo 1
10 de março de 1996
O CLIMA REFRESCANTE volta a invadir a vida das inúmeras pessoas que vivem em Sunlane, a ansiedade e excitação gerada pela festa do dia 12 de março era visto em qualquer lugar.
Crianças corriam de um lado para o outro segurando bandeiras coloridas. Os rostos pintados com listas enormes era marca registrada de todo pequeno cidadão que se prezasse.
Até mesmo o sol parecia estar com vontade de testemunhar o que seria um dos maiores evento do ano.
Na praça local, sentada em um banco de madeira nem tão confortável assim estava Isabella.
A menina segurava em sua mão um pequeno bloco de desenhos junto com um fino lápis de desenhar. Ao seu lado no banco estava despejado em uma sequência totalmente aleatória mais lápis de variadas cores.
"Capricharam na decoração esse ano, não é?" disse a menina com uma falsa voz calma.
Um homem que estava parado ao seu lado limpou a garganta. Ele usava um terno preto caro. Seus olhos de aparência bastante cansados se escondiam atrás de um redondo e fino óculos.
"Realmente esse ano levamos mais a sério na decoração da festa de aniversário da cidade" concordou o rapaz.
A menininha apertou o bloco de notas com a mão, o desenho que estava feito pela metade se amassou.
"Incrível!"
"Simplesmente maravilhoso!"
O homem estreitou os olhos.
"Senhorita?" questionou o homem pouco surpreso com a clara demonstração de raiva da garota.
A menina lançou um olhar penetrante para o rapaz.
"Ele vem ou não?".
O homem suspirou e checou um relógio dourado em seu pulso.
"Deve chegar em breve" alertou.
A garota bufou.
"Como ele é pontual" respondeu com sarcasmo.
"Não seja tão dura com ele, seu pai faz o melhor que pode" disse o homem.
Um breve ar vazou do nariz da menina.
"Do jeito dele" completou o rapaz.
Isabella se levantou do banco e começou a caminhar pela praça. O lugar era lindo.
As estradas que cortavam o longo e bem cuidado gramado estavam impecáveis.
Algumas famílias caminhavam alegremente por ali: pais, mães, filhos, filhas, irmãos, primos, netos.
"Um perfeito exemplo de família" cochichou a garota para o homem.
"A encarnação de tudo aquilo que papai prega".
"A encarnação de tudo aquilo que ele não faz questão de ter" finalizou.
O homem novamente suspirou.
"Um dia você entenderá".
Isabella não respondeu, apenas seguiu caminhando em silêncio.
Não demorou muito para que a garota chegasse na atração principal da praça. Uma enorme e bem detalhada estátua de bronze puro localizada bem ao centro da cidade.
O fundador. O salvador. A maior pessoa que já pisou nas terras que um dia viriam se tornar a cidade de Sunlane.
A estátua de Rupert Caldwell.
O indivíduo segurava em sua mão direita uma espécie de lança e na esquerda algum tipo de espada de lâmina fina. Sua expressão esbanjava um enorme e vitorioso sorriso.
O libertador, O responsável por varrer o campo de batalha e guiar o seu povo para a glória ao salvar os primeiros habitantes locais de um violento ataque de povos estrangeiros que buscavam a colonização total daquelas terras.
"Quanta baboseira" disse a menina cruzando os braços.
"Você nem foi tão importante assim" debochou.
Com alguns poucos segundos de atraso o seu companheiro finalmente a alcançou.
"Já fez seu ritual diário de ofender o fundador de nossa cidade?" perguntou o homem.
Isabella cerrou os olhos.
"Cuide de sua vida" rosnou.
A aparência da menina não combinava nem de longe com a sua real personalidade.
Isa era consideravelmente pequena para sua idade, possuía cabelos loiros e lisos que caiam gentilmente em suas costas. A tiara que usava na sua cabeça as vezes brilhava ao entrar em contato com algo luminoso.
Os seus brincos favoritos sempre se faziam presentes em suas orelhas, um pequeno par de borboletas de prata.
Suas roupas chiques estavam frequentemente sujas com tinta ou qualquer outra coisa que a menina vira e mexe usava para conseguir desenhar seus enormes quadros.
Sua feição fofa conseguia enganar facilmente os seus professores após a menina tramar elaborados planos para causar em sala de aula.
"Hoje a senhorita acordou com o pé esquerdo, presumo" respondeu o homem.
"Até quando eu vou ter que te aguentar como minha babá?" perguntou Isa impacientemente.
"Não pegue tão pesado com o Charles, minha Bellinha querida" pediu uma voz masculina em suas costas.
Charles endireitou sua postura ao reconhecer a voz.
"Senhor".
Um homem de meia-idade de cabelos pretos escuros e com um rosto bastante sério se aproximou lentamente. Seus olhos castanhos caíram sobre Charles por alguns instantes.
"Espero que ela não tenha dado muito trabalho" comentou.
Charles sorriu.
"Acho que estamos começando a virar amigos".
O recém-chegado abriu um sorriso alegre. Sua expressão relaxou.
O homem então se virou para a garota e abriu os braços.
"Quem é a Bellinha do papai?" perguntou.
Isabella não se moveu, sua expressão era de claro incômodo com a situação no geral.
O sorriso do homem vacilou.
"Vamos filha..."
"Não vai me dizer que não sentiu falta de mim?" indagou o homem, em sua voz havia um certo receio com a futura resposta.
"Oi, papai", respondeu a menina com desânimo.
Mesmo com a resposta pouco calorosa o rosto do homem se iluminou em um sorriso revigorado.
"Espero que eu não a tenha feito esperar demais" disse o rapaz se desculpando.
"Sabe como é..." sua expressão ficou sombria.
"Estamos tendo bastante trabalho ultimamente".
Isabella apenas acenou com a cabeça e se virou, puxou mais uma folha de seu bloco de desenhos e começou a rabiscar alguma coisa.
O homem limpou a garganta, confuso e sem saber o que fazer em seguida.
"Ah...".
Ele lançou um olhar para Charles que apenas balançou os ombros.
"O senhor é o pai dela".
O rapaz fechou a cara.
"Não olhe assim para mim Tom" respondeu Charles.
Thomas ainda tinha uma expressão de leve incômodo quando se aproximou novamente de sua filha em mais uma tentativa de puxar assunto.
"O que está desenhando aí filhona?" questionou enquanto apontava para o bloco de desenhos.
Isabella demorou para responder.
"Bella?" insistiu o pai.
A menina fechou os olhos e respirou fundo.
"Estou tentando me concentrar pai" resmungou.
"Ah é claro, me desculpe".
Um silencio constrangedor tomou conta do lugar. Thomas começou a assobiar.
"Mas e então... está desenhando algo que você gosta?" perguntou.
"Algo sobre sua festa?".
Thomas sabia que tinha cometido algum erro quando a menina se levantou com um salto.
"Não papai, não é sobre minha festa" berrou com raiva.
"Isabella?" disse o homem confuso.
A garota amassou o caderno de desenhos com força e o arremessou contra o pai.
"Filha?" Thomas tentou dizer, mas Isabella já tinha se afastado.
Charles se aproximou rapidamente, uma expressão seria no rosto.
"O que aconteceu?" perguntou.
"Eu... Eu não entendo" respondeu Thomas - "Eu apenas falei da festa e então..."
Charles o interrompeu.
"Você falou da festa?" questionou de uma maneira que deu a entender que não acreditava que o homem poderia fazer algo tão tolo.
"Eu não posso mais perguntar sobre a festa de aniversário da minha própria filha?" disse Thomas com raiva na voz.
Charles engoliu em seco.
"Acredito que não seja uma boa ideia perguntar de uma festa..." começou a dizer.
"Que nenhum colega fez questão de participar" completou.
Thomas franziu a testa, confuso.
"O que quer dizer com isso?" - "Eu mandei você providenciar convites para todos os colegas da minha Bella" disse o homem.
Charles endireitou a postura novamente.
"O senhor tem a minha palavra que todos os convites foram entregues para os respectivos convidados" assegurou.
"E então?" perguntou Thomas - "Por que ninguém veio?".
Charles lançou um genuíno olhar de tristeza para Isabella que agora desenhava figuras na areia do espaço de lazer das crianças usando um pedaço de graveto que achou ali próximo.
"Acho que isso você deveria perguntar para sua filha".
A feição de Thomas se fechou por completo.
"O que está insinuando sobre minha filha, Charles?".
"Perdoe-me pela minha intromissão senhor" respondeu o homem - "Porém acho que o senhor saberia a resposta se passasse mais tempo com a garota".
Essas palavras acertaram Thomas mais forte do que qualquer golpe de qualquer arte marcial.
O homem lançou um olhar para sua filha que continuava a desenhar sem ao menos ousar levantar seu rosto.
"Bella...".
Está devidamente apresentada então a nossa primeira protagonista!
Isabella é uma menina de um temperamento muito forte, como já foi possível ver
(Charles que se cuide)
A sensação de ansiedade continua a envolver Sunlane em um abraço gélido.
Que outros mistérios estão para se revelar?
Seja novamente bem vindo visitante!
Aprecie o primeiro capítulo de...
03 Dias
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