Conversa - Parte 2

- Sim. Ele são nosso lar. E você? Me fala da sua história.

- O que você quer saber exatamente?

- Como veio morar aqui, porque eu sei que você é brasileira, sei que você morava na Flórida também, então como veio parar aqui em Boston?

- Eu nasci no Brasil e nos mudamos pra cá quando eu tinha pouco mais que 7 meses. Minha mãe é brasileira e meu pai americano. Depois quando eu estava com mais menos 8 anos voltamos pro Brasil, e depois eu só voltei com 12 anos. Moramos em Miami por um tempo,até os meus 17 anos até meu pai receber uma proposta de trabalho em St. Augustine e nós nos mudarmos.

- Entendi. E os seus pais, também estão aqui?

- Não, na verdade eu perdi meus pais. Minha mãe faleceu em um acidente de  carro que tivemos, logo quando completei 19 anos. Meu pai também se machucou e a perda da minha mãe deixou marcas profundas nele. E infelizmente há mais ou menos 2 meses eu perdi ele também. — Falo já com lágrimas nos olhos.

- Nossa, me perdoe. Eu não fazia ideia, sinto muito, sinto muito de verdade.

- Tudo bem. Aos poucos eu vou superar isso.

- Você era muito ligada ao seu pai?

- Sim, basicamente, depois da mamãe éramos só eu e ele. Ele era meu melhor amigo. Com a morte dela eu meio que tive que assumir algumas responsabilidades, meu pai nunca mais foi o mesmo.

- Por que? Ele se sentia culpado, responsável?

- Sim, ele estava dirigindo, estava chovendo bastante. E ele perdeu o controle do carro. Quando acordamos estávamos todos no hospital. Ele não conseguiu superar, sempre sentiu que a culpa era dele. Mas não era, nunca foi.
Infelizmente ele acabou entrando em uma quadro depressivo, que veio junto com crises de pânico e ansiedade. Sem contar as dores que ele sentia. No acidente ele quebrou quase todas as costelas, a perna e o braço esquerdo e a clavícula. Os médicos disseram que foi um milagre ele ter sobrevivido ao impacto do acidente.

- Sinto muito Olívia. Nem posso imaginar por tudo que você passou. Foi por isso que você começou a cuidar dele?

- Sim. Como ele estava bravo e magoado com tudo o que tinha acontecido, ele acabou meio que afastando o resto da  família, ele até tentou voltar ao trabalho, mas ele não conseguia mais.  Então eu tive que trancar a faculdade e começar a cuidar dele. Começar a trabalhar para cuidar da gente. E foi basicamente isso durante 3 anos, até 2 meses atrás. Depois que ele faleceu eu acabei vindo morar com meus tios aqui em Boston.

- Você é muito forte. Eu jamais poderia imaginar que você teria vindo pra cá por isso. Eu sinto muito pelas sua perda. Sinto muito que você tenha que ter passado por tudo isso, sinto mesmo.

- Obrigada! As poucos isso tudo vai passar. Agora chega de falar de mim. Tá ficando tarde e amanhã você a acorda cedo né?

- Sim. Não posso perder o vôo amanhã.

- Então acho que já está na hora de você ir descansar, digo me levantando do sofá.

- Já estou indo. Diz Chris se levantando também. Foi muito bom conversar com você, quero que saiba que se precisar de algo pode contar comigo, ok?

- Obrigada.

Subimos as escadas juntos, e antes de cada um ir para seu quarto:

- Vejo você amanhã então, boa noite! Se precisar de mim pode me chamar, tá? Diz Olívia.

- Boa noite Olívia, até amanhã!

Ambos entram em seus quartos.
Chris  pensa em Olívia e tudo que ela havia passado. Cada parte de sua história. Chris fica triste por ela, mas consegue perceber o quão forte e corajosa ele foi e é. Ele mal poderia imaginar que por trás daquele sorriso havia tanta dor.
Chris se deita ainda pensando em tudo que ouviu. Pensando em Olívia.

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