[Dia 03]

Hm.. oi bloquinho. Hoje não foi um dia bom, mas já vou te explicar o porquê.

Primeiro, vou começar pelo passeio com os meus amigos. Aquela saída em grupo, que eu comentei na página anterior. Bom, eu acordei às 11 da manhã, e desci para tomar café com o meu pai. Ele me disse que entraria mais tarde no trabalho, então, teríamos um tempo a mais juntos. Bem legal, não é?

A propósito! Meu pai trabalha no corpo de bombeiros. Ele faz parte do grupo de salvamento, aquele grupo que entra primeiro nas residências e afins, para encontrar e resgatar as pessoas, enquanto seus parceiros tomam conta do fogo.

Por causa do trabalho dele, ele está sempre cansado. Por isso, em algumas sextas-feiras, não nos vemos. Mas eu tenho muito orgulho do meu pai, ele arrisca a vida dele todos os dias, para manter as pessoas seguras.

As vezes me pergunto se o perigo que ele enfrenta todos os dias, não tenha sido uma das causas, dos meus pais terem se separado. Porque a Senhora Jeon Somi sempre repetia para mim, quando eu era mais novo, que respeitava todas as escolhas do meu pai, e que se orgulhava dele, por ter um trabalho tão digno, em ajudar as pessoas. Mas, eu ainda era filho dele, e nós éramos sua família, então, ela não poderia simplesmente permanecer com ele, e me deixar sem um pai, caso algo ruim acontecesse.

Confesso que essa lógica dela nunca fez sentido pra mim, mas como eu não podia opinar sobre os sentimentos deles e a relação complicada que eles tinham, apenas ficava quieto, prestando atenção em tudo.

E sabotava propositalmente cada possível relacionamento bom, que eles poderiam ter, com outras pessoas.

Claro que eu não fui uma criança santa, muita coisa acontecia em casa, e na casa do meu pai também. Mas vou falar mais sobre isso, em uma outra página, prometo.

Enfim, acho melhor voltar para o passeio, certo? Acabei até me perdendo entre os assuntos, aqui.

Bom.. depois que saí de casa, meus amigos estavam me esperando num parque, que não fica muito longe de casa. Nós sempre vamos pra lá, e como sempre, acabei chegando um pouco atrasado. Minha condição física não é lá a das melhores, mas eu dei o meu melhor para não morrer no meio do caminho.

Cumprimentei a todos, e logo fomos para o parquinho. As crianças menores que estavam por lá, não paravam de nos encarar, mas a gente nem dava bola. Ficamos no balanço e no gira-gira, mas a melhor parte com certeza, era ouvir as risadas altas do Hoseok e do Jimin. Eles pareciam se divertir muito mais do que nós, e talvez, eles estivessem mesmo.

Passamos a tarde toda brincando, também fomos a uma barraquinha ali perto, para tomar um milk shake. E quando cansamos, cada um foi para a sua casa.

O tempo voa quando estamos juntos, mas eu pude apreciar cada segundo, e acho que é isso o que importa.

Fui direto para casa do meu pai, conferir se ele tinha trancado a porta, antes de ir para o trabalho. Não que eu pudesse impedir um possível assalto, caso acontecesse, mas nunca se sabe, não é?

Por sorte, estava tudo certo, então, segui direto para casa da minha mãe, já com as chaves em mãos. E quando me aproximei da porta, pude ouvir minha mãe conversando com alguém, mas não sabia distinguir se ela estava no telefone, ou com alguém, na cozinha.

Esperei por alguns minutos, ainda do lado de fora, e acabei ouvindo uma risada masculina, parecia competir com a risada da minha mãe, de tão alto que eles estavam rindo. Respirei fundo, e então, abri a porta normalmente, esperando por alguma explicação dela, mas assim que ela me viu, sorriu de orelha a orelha, mostrando que não estava mais sóbria, e o seu amigo, tão pouco também.

Resolvi acenar para eles, e sair dali o mais rápido possível. Mas assim que cheguei as escadas, minha mãe havia me seguido, e estava a poucos metros atrás de mim. Congelei momentaneamente, e virei minha cabeça em sua direção, querendo saber o que estava acontecendo, mas ela apenas começou a falar de alguma coisa aleatória que o seu amigo havia feito, esperando que eu começasse a rir com eles.

Eu apenas me esforcei para sorrir na direção deles, e subi correndo as escadas, logo em seguida. Fechei a porta do meu quarto, só por precaução, e me joguei na cama, tentando pensar em tudo o que tinha acontecido até agora.

"• uma boa noite de sono,
• café da manhã com o papai,
• passeio com os meus amigos,
• uma tarde incrivelmente boa,
• uma volta tranquila para casa,
• conferir a porta do papai trancada,
• risos masculinos na cozinha,
• minha mãe nada sóbria,
• e um amigo, que eu nunca tinha visto antes."

Me lembro de ter pensado se o cara poderia ser uma pessoa perigosa, se era ruim deixar minha mãe sozinha com ele, mas ao mesmo tempo, sabia que a minha mãe não levava estranhos para casa. Ela só convidava alguém - principalmente homens - quando tinha um certo nível de confiança nelas. Sem contar, que eu também me sentia cansado, pelo dia incrível que tive com os meus amigos. A única coisa que consegui fazer, foi tomar um banho um pouco longo, e vir aqui escrever em você bloquinho, antes de me jogar na cama de novo.

Agora já escureceu lá fora, papai ainda não voltou do trabalho, como o esperado, e minha mãe ainda estava rindo com aquele cara no andar de baixo, quando saí do banho. Mas agora, ela está roncando na cama dela. O cara meio que foi embora, depois de eu ter insistido muito, mas não me arrependo, era hora de acabar com a festa, e foi o que eu fiz.

Não me leve a mal, bloquinho. Eu tenho sempre esses momentos de: ser um pouco sensato, procrastinar, e aí sim, fazer a coisa certa.

Minha mãe não bebe sempre, só quando ela se sente sufocada por algo. E nesse momento, eu não consigo pensar em um único motivo, pra ela ter se sentido assim hoje.

"• Eu fiz todas as tarefas domésticas (menos na sexta-feira),
• Não a irritei com nada esses dias,
• Ajudei algumas vezes com a preparação das refeições, durante a semana,
• E passei um tempo no meu quarto, pra que ela tivesse um tempo só pra ela, também."

O que pode ter dado errado?

Talvez eu descubra, mas não agora. Acho que vou dar mais uma olhada pelo andar de baixo, para organizar a bagunça que fizeram na cozinha, assim a minha mãe não me acorda tão cedo amanhã, para ajudar ela. Depois poderei ir para a cama, e vou torcer para não ver o garotinho estranho, novamente!

É aqui que eu me despeço, bloquinho. Mas amanhã, você não me escapa!

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