06. kiss

ETERNO

――――. °🌑 . °――――

A luz do pôr do sol foi filtrada pela sombras dos galhos e refletida no chão,  projetando diversas folhas como sombras sobre Angel. O sol que vinha do topo da colina cintilava por trás de sua silhueta. Um raio de luz amarela. A campina era preenchida por jacintas e esporas, seus aromas doces preenchiam o ar a volta. Nuvens densas e carregadas de chuvas moviam-se pelo céu, enquanto Angel mechia seus pincéis lentamente sob o papel, replicando seus mínimos detalhes naquela pequena folha. A leste, podia-se ouvir a cachoeira borbulhando baixinho. O chão era coberta de pétalas vermelhas, que balançavam repentinamente, como na brisa de um lago. Seus dedos seguravam com firmeza o pincel, movendo-o para cima e para baixo em movimentos delicados, sem deixar que nenhum detalhe passasse por seus olhos despercebido.

Dedos gelidos alcançaram seu queixo, acariciando suas bochechas ruborisadas, preenchidas pelos sangue fresco que circulava por seu corpo. Havia uma estranha sensação de mistério por trás do olhar de Alice. O cabelo de Angel estava preso em um coque frouxo, aonde duas de suas pequenas mechas cairam por seus rosto, até a altura de seus olhos. Dedos grossos e mais frios escorregaram por sua bochecha, até a parte de trás de sua orelha, carregando aquele pequeno fio de cabelo consigo. Os três se observaram com sorrisos bobos, apenas apreciando aquele momento e desejando que aquilo não acabasse nunca. Que fosse sempre um mar de tranquilidade e paz, como tudo era antes da garota Swan.

Angel escorregou seus dedos para dentro do pequeno pote de tinta azul, preparando-se para emboscada que estaria armando para si mesma. Ela encostou seu polegar com delicadeza sob o nariz de Alice, levantando-se antes que a vidente pudesse protestar. A expressão em seu pálido rosto de porcelana não demonstrava irritação. Ela correu, não muito, mas o suficiente para sumir da vista dos vampiros por alguns instantes. Um emaranhado de cabelos ruivos esvoassou, carregando seu doce cheiro de lirio por todo o ambiente, fazendo os pássaros cantarolarem de satisfação. Algo duro segurou seus braços com firmeza e delicadeza, apenas para a manter no seu devido lugar. Um silêncio reconfortante pairou sobre elas, e só terminou, quando Jasper envolveu a cintura da menina ruiva, girando ela no ar.

Alice a segurou em seus braços, sorrindo com seu terrível desespero. Seus olhos azuis espionaram minimamente o rosto da mulher. Angel tocou com carinho seu nariz no dela. Ela agarrou com delicadeza os ombros frios da vidente, arrastando seu pequeno corpo para mais perto dela, para que não haja mais espaço entre elas. Mesmo através de tantas camadas de tecido, o calor anormal de suas peles a queimam. As mãos frias de Alice arrastam por sua costela, parando sob sua cintura. Angel viu a expressão hesitante da vidente, e antes que pudesse mudar de ideia, ela ficou da pontinha de seus pés, e precionou seus lábios quentes sob o de Alice. Jasper não se intrometeu, mas não perdeu um sequer segundo daquele momento espetacular.

Um ruído surdo escapou da garganta de Alice. Suas línguas se tocam, movendo uma sob a outra. Angel tinha um gosto diferente, uma mistura entre morangos e chocolate. A cada movimento, parecia que cubos pesados de gelo mechiam-se sob sua barriga, trazendo uma sensação nova, uma que ela não havia sentido antes. Um único trovão soou por toda a campina, levantando pássaros e espantando pequenos esquilos que viviam ali. As primeiras gotículas grossas e pesadas de chuva caíram sobre sua pele. Eram geladas, muito geladas, mas seu corpo parecia tão quente, que aquilo se tornava brasa em sua pele.

Angel puxou uma de suas mãos, segurando o rosto se Alice com delicadeza, se afastando dela para buscar ar para seus pulmões. Ela sentiu as mãos grossas de Jasper escorregarem por seu cabelo, enrolando seus dedos gelidos em um emaranhado de fios ruivos. Se ela estava sem fôlego, precisava recupera-lo rápido.

— Jass...

Ela não terminou sua fala. Jasper hesitou . — Não como uma pessoa pode hesitar antes de beijar alguém, para avaliar sua reação, para ver como seria recebido. Talvez ela hesitasse para prolongar o momento, aquele momento único, ideal de expectativa, muitas vezes melhor do que o próprio beijo.
Jasper hesitou novamente para se testar, para ver se era seguro, apenas para ter certeza de que tinha sua sede em seu total controle. E depois seus lábios frios e mármoreos encostaram com muita delicadeza nos de Angel.

Nenhuma dos dois estavam preparados para alguma reação. Angel cerrou as pálpebras. Foi como se um novo mundo fosse criado aonde seus lábios se encontraram, e tudo a volta foi esquecido, eles poderiam passar a eternidade fazendo aquilo. Seus corpos foram preenchidos de luz, até explodirem em sentimentos intensos, transmitindo a quilômetros de distância. O sangue ferveu sob a pele de Angel, ardendo em seus lábios. Sua respiração assumiu um ofegar louco. Seus dedos se traçaram nos cabelos de Jasper, puxando-o pra si. A língua de Angel encostou na de Jasper, as movimentando em um categórico círculo, os lábios espóliodos uns aos outros. Era como um doce veludo. Angel tinha um delicioso gosto de amoras. Doce. Eles usaram o apoio de seus braços como impulso para pressionar ainda mais os lábios uns nos outros. Os lábios da ruiva estavam mais quentes que antes, preenchidos pelo sangue fresco. Seus lábios se separaram enquanto eles respiravam o cheiro inbriente no ar.

— Perfeito. — Jasper sussurrou. O olhar distante voltou a seus olhos, expressos em emoções.

Enquanto eles viviam aquele momento único, presos em seu próprio mundo, aquele preenchido por amor e satisfação, Edward, dançava com Isabella sob o luar, reivindicando aquela que ele diz amar.

Bella encarava de maneira rude, e nada discreta, os Cullens. Seus olhos pareciam permear no mais escuro e profundo segredo daquela família. Sua mente queria, e como queria, desvendar a alma deles. Aqueles pálidos rostos de porcelana, esbanjando beleza e tentação. Ela apenas se deu conta do quão indelicada  estava sendo, quando notou, todos, sem exceções, a encarando com precisão. Seu rosto esquentou, suas bochechas rosaram no mesmo instante, e ela abaixou sua cabeça, escondendo seu rosto pela cortina fluida que foi formada por seus cabelos.

— Se sente bem, Bella ? — Jessica parecia exultante.

— Os Cullens...

— Bonitos não é ? — respondeu, cortando-lhe ao meio. — apesar de Angel ser bem esquisita. — seu comentário havia uma entoação maldosa e proposital. As palavras atingiram Angel feito setas envenenadas.

A mente de Bella reagiu imediatamente ao insulto dirigido a garota. Era tolice recusar enxergar aquilo que estava bem na sua frente. Ela observou com sutileza a garota ruiva ao outro lado do refeitório: Sua pele era branca como porcelana, seu cabelo era de um ruivo escuro, muito escuro, quase vermelho. Suas bochechas eram preenchidas por sardas, que lhe davam ressalte a seus olhos azuis. Sua pupila era resolvida por um amarelo, tão brilhante quanto o sol. Sua íris eram fragmentada de pequenos traços verdes, como uma mistura entre um oceano e uma floresta. Sua beleza era inumana, capaz de deixar qualquer um sem fôlego. Podia deixar qualquer pessoa completamente irracional. O único detalhe que movia seu rosto, era aquele pequeno aparelho conectado ao seu nariz, lhe ajudando a respirar.

— Não acho. — a voz de Bella foi firme, e um pouco rude. — Qualquer um que chame uma pessoa assim de feia, ou está morta de inveja, ou está precisando de um oftalmologista. — a voz dela fica mais suave, pelo menos dessa vez, ela não teve medo de dizer o que pensa.

Os olhos dela se encheram de remorso. — Sua expressão ferida fez com que Bella se arrependesse de ter dito aquilo. No outro lado do refeitório, aonde os Cullens escutavam tudo com atenção, Edward, sorriu orgulhoso.

Havia uma trilha estreita que levava ao interior da floresta. Angel podia ouvir, com tanta nitidez, que parecia assustador. Sua mãe a chamava, e o que parecia tão perto, estava na verdade tão longe. A borboleta de asas azuis assombrou sua manhã novamente naquele dia. A trilha entrava cada vez mais fundo na floresta, principalmente para o leste. O ar era embriagado pelo cheiro de lirio, enquanto seu solo era serpenteado das mais bonitas rosas. A floresta era de um verde intenso, a frequência de gotas caiu em sua pele, então deveria estar chovendo. Pares de mãos frias pousaram sob seus ombros, cortando quais quer pensamentos, expelindo as vozes e a imaginação da bela borboleta.

— Moças bonitas não devem andar sozinhas em florestas tão escuras. — Jasper comentou sarcasticamente, esfregando seu polegar sob suas bochechas, retirando as grossas gotas que haviam ali.

— Vampiros não devem salvar moças bonitas, eles devem caça-las. — Sua voz é contundente, ela parecia tão pequenina e frágil diante de Jasper.

— No meu caso, o vampiro é apaixonado pela moça bonita. — Ele pressiona seus lábios contra os dela, sorrindo durante o beijo. — Por duas moças lindas.

Ele se auto-corrigiu, apenas observando com amor a figura extremamente pálida e bela de Alice. Sua silhueta dourada lhe lembrava o carmin, e o tiravam o ar, mesmo que não houvesse.

— Você vai babar. — Angel ficou na ponta dos pés, apenas para sussurrar aquilo no ouvido do mais velho.

— Concordo. — respondeu, a voz suave e firme. — Não consigo me acostumar com tanta beleza.

Jasper separou suas mãos, e entrelaçou seus dedos nos delas. Angel ri e Alice dá  uma gargalhada, um tintilar de sinos que poderia fazer qualquer um pensar nos sinos de prata que costumam por na porta das casas. Pela primeira vez em muito tempo, Angel, se sente completamente em casa. Eles eram seu abrigo.


N O T A S
D A
A U T O R A

| Parece mentira, mas sim, isso é capítulo novo !

| Bye Sushines...

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top