𝗣𝗿𝗼𝗹𝗼𝗴𝗼

Destinada a grandeza

1997, Alasca.

ESME DIZIA A SUA NETA QUE O VERDADEIRO artista dá o sangue por sua obra, mas ela nunca lhe disse que o sangue pode torna-se o seu veículo de comunicação, pode assumir vida própria de maneiras repugnantes e medonhas. Angel coleciona insetos desde os sete anos de idade ; foi o único jeito que encontrou de silenciar os sussurros. Espetar um alfinete em sua barriga os silencia rapidamente.

Algumas de suas vítimas perfiliam pelas paredes em molduras tipo caixa, enquanto outras ficavam nas prateleiras dentro de potes de vidro para serem usadas depois. Grilos, besouros, aranhas... Abelhas e borboletas. Ela não era seletiva. Assim que ficam tagarelas demais, tornam-se presa fácil.

Os insetos não morrem em vão. Ela os usa em sua arte, dispondo seus cadáveres em formatos e desenhos. Flores secas, folhas e cacos de vidro dão cor e textura aos desenhos feitos sobre uma base de gesso. Ela são suas obras de arte... Seus mórbidos mosaicos.

Ela jogou os cabelos para trás, fazendo um furo no seu dedo indicador com o alfinete de segurança esterilizado que sempre guardava no bolso, posicionando a última pedra de vidro em seu mosaico e aguardando.

Á medida que pressionava a conta translúcida contra o gesso branco, ela tremia com a sensação de estar sendo absorvida. É como uma sanguessuga na ponta de seus dedos, atraindo seu sangue para o lado de baixo da pedra, formando uma poça de um melhor aveludado. O sangue dançava... movendo-se de pedra para pedra, colorindo o fundo de cada uma delas com um fio carmim. — formando uma imagem.

Da porta, surgiu uma doce risada — junto com a voz, seguiu -se uma brisa doce que cheirava a arnica. — Ela correu para cobrir o masaico com um pano, morrendo de medo de que alguém pudesse ver a transformação acontecendo.

É mais um lembrete de que o conto de fadas é real, de que de fato ser descendente de bruxas significa que ela era diferente de todo mundo.

— Meu anjinho ? — Alice aproximou-se da mesa. Angel contemplou seus olhos, um dourado derretido contra o fundo de sua íris branca. — Desenhando escondido novamente ? — pressionou, enchendo-lhe de cossegas.

— Lice, aonde tá o Jass ? Não o vejo desde ontem. — disse, revertendo-se do assunto, enquanto enroscava suas mãozinhas no quadril da vidente. — Ele está chateado por eu ter dado um banho de tinta nele ? — Alice sorriu, negando.

— Serve aquele ali ? — ela a virou em direção a porta, enquanto o vampiro agachava-se com os braços erguidos em sua direção.

— Olá minha princesinha. — ele a girou, deixando beijinhos por seu rosto. — Não vive mais um dia sem mim ? — entreteve-se, passando a mão por seus cabelos sujos de tinta.

— Depende. — sussurrou, passando seu dedinho roxo de tinta pelo nariz do mais velho. — Vai brigar comigo ? — fez um compedioso biquinho ao ver a cara nada amável do vampiro.

— Como se ele conseguisse ! — Alice brincou, enquanto contemplava o desenho da ruiva. — Isso é uma forca ? — questionou-se, enquanto a garota corria para tira-la de perto de seu desenho.

— Não, ainda não sei o que vai se formar. — disse, puxando as mãos frias da vidente. — Lice, por favor. — pendichou, cruzando seus bracinhos.

— Isso é uma mulher enforcada ? — perguntou-lhe Jasper, enquanto aproximava-se. — Voltou a usar seu sangue para desenhos ? — havia um tom repreendedor na sua voz.

— Não, talvez, sim... — admitiu, enquanto contemplava o que havia tornado-se o desenho. — Eu uso os desenhos para conversar com minhas ancestrais, elas me mandam mensagens, na maioria macabras.

— Uma garota de onze anos está usando magia para se comunicar com pessoas mortas ? — Alice criticou, enquanto a puxava para seu colo. Ela balançou a cabeça, fazendo com que seus fios curtos e espetados caíssem sob os olhos. Angel passou sua pequena mãozinha no cabelo de Alice, tirando-o de sua vista, fazendo carinho em seu rosto. A vidente relaxou seu corpo. Os músculos contraídos e tensos foram expelidos. Elas duas sorriram. Alice resolveu deixar o desenho de lado. — Quer me contar como foi seu dia ?

— Coisas normais. Falar com flores, escutar vozes... — disse, enquanto o semblante de ambos o vampiros se tornava de pura insatisfação. — Bom... normais para mim. — Ela abaixou a cabeça, mexendo em seus pequenos dedinhos, levemente envergonhada.

— Tudo bem, meu amor. Você não tem culpa por ser diferente. — Jasper assegurou, tamborilando os dedos por suas bochechas gordinhas. Angel fez carinho no cabelo louro do vampiro e bocejou quase ao mesmo instante. — Está bem. Hora de criança dormir. — disse, recebendo um dar de ombros insatisfeito.

Alice se ergueu com ela em seus braços. Em um milésimo, eles já estavam parados na escada. Seus andarem eram como plumas aveludadas, tão leves que mal pareciam tocar o chão.

— Boa noite minha pequena. — Jasper murmurou, deixando um beijo em sua testa. — Durma bem. Amo você. — ela sorriu, aconchegando-se no peito da morena.

— Boa noite Jass-Jass — brincou. — Boa noite Lice. Eu amo vocês. — eles sorriram, beijando seus cabelos.

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top